Isabel Alçada: escolas têm que traçar as suas metas para o sucesso educativo

14.09.2010 - 08:29 Por Bárbara Wong, Bárbara Reis
A ministra da Educação, Isabel Alçada, vai começar hoje, em Braga, a discutir com os mil directores de escolas uma nova ideia: serem as próprias escolas a definir as suas metas de sucesso com base em três indicadores.
Há uma palavra que Isabel Alçada, ministra da Educação, repete vezes sem conta neste início de ano lectivo: metas. As novas metas de aprendizagem vão estar disponíveis na Internet a partir de amanhã. São um guião de objectivos concretos que os alunos devem atingir - "compõe e decompõe números pelo menos até ao milhão", por exemplo, para os alunos do 4.º ano do básico. Hoje, a ministra vai pedir aos directores das escolas que, com este novo instrumento e usando três indicadores - provas de aferição e exames, chumbos e abandono -, as escolas tracem metas para melhorar os seus resultados até ao fim do ano.
É urgente aumentar o número de horas de Português e Matemática no sistema educativo?
Não. É importante que haja uma focalização do trabalho para assegurar as competências básicas nessas áreas, que o tempo seja bem aproveitado e que haja um investimento dos alunos no estudo e no treino.
Descreveu os currículos como "dispersos" e "desestruturados". Como torná-los melhores?
Os currículos estão estruturados, têm lógica e articulação. Há ajustamentos que se podem introduzir, mas é prioritário lançar metas de aprendizagem que permitam que seja claro para professores, pais e alunos o que devem saber em cada ano.
Os professores não trabalham já com metas?
Trabalham mais com programas. Esta é uma definição de outra natureza, que não está suficientemente clarificada.
Pode dar exemplos?
A ideia é os professores verem qual a medida certa para cada ano. Mas não passa por um aumento de horas, as pessoas julgam que se houver mais tempo se melhora os resultados. O importante é usarmos muito bem o tempo.
A distribuição de horas é equilibrada quando há crianças de 13 anos com 13 disciplinas?
Não, continua a haver possibilidade de afinar o currículo. Não acho que esteja equilibrado. Não vou avançar com os afinamentos porque fazemos questão de trabalhar com os parceiros e ouvir a sua opinião. Os docentes têm que se reconhecer com as mudanças nessa matéria. O processo começa com as metas.
Há prazos? No final do ano avaliam-se as metas e depois introduz-se a reforma?
Não gosto de falar de reforma porque as grandes reformas em que tudo muda trazem muitos prejuízos, está mais do que estudado. O que importa é que, a partir do que já temos, tenhamos segurança para avançar com melhoramentos.
Prefere mudanças pontuais?
Sim, é essa a nossa perspectiva. Este ano vamos também propor aos directores das escolas que tracem metas de melhoramento.
Como?
Imaginemos que temos um determinado nível que a escola atingiu em 2009/2010: vamos propor que adoptem como prática o traçar metas de melhoria, usando as metas de aprendizagem e as estratégias e recursos que já têm, como o Estudo Acompanhado e os apoios de grupo ou individual. Outro dos indicadores vai ser a repetência, que melhorem os resultados dos alunos e que estes aprendam efectivamente mais.
O terceiro indicador é a desistência. Apostamos em 12 anos de escolaridade obrigatória e temos que estar atentos ao risco de os jovens abandonarem. A partir dos 14 anos há 1,84 por cento de jovens que desistem.
Vai propor às escolas que evitem os chumbos?
Quando propomos estratégias de melhoria em nada se diz que é para diminuir a exigência. Propomos que olhem bem para as repetências e se mobilizem para, desde o início do ano, encontrarem estratégias para que os alunos que não estão a acompanhar bem o processo sejam acompanhados e os pais envolvidos.
Que condições é que as escolas têm para fazer esse trabalho?
Têm muitas condições. A prova é que em muitas escolas isto já acontece.
Como se pode fazer esse trabalho quando há um psicólogo para dois mil alunos?

