A Inspecção-Geral da Educação (IGE) já sabia, desde Fevereiro, que um professor de Música da Escola Básica 2-3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra, se tinha matado.
Luís atirou-se da Ponte 25 de Abril no dia 9 de Fevereiro, depois de ter feito à direcção da escola várias participações sobre os insultos e indisciplina dos seus alunos. Contudo, o inquérito ao caso - descrito como "urgente" - só foi aberto depois de o PÚBLICO ter noticiado a situação a 12 de Março.
Alguns antigos e actuais professores da escola começaram esta semana a ser ouvidos pela IGE, sendo que a primeira linha condutora da investigação tem sido tentar perceber quem é que fez o caso chegar aos jornais. A família do professor já se disponibilizou para prestar declarações e entregar todos os documentos que possam facilitar o inquérito, com o objectivo de demonstrar que Luís fez vários apelos e que a legislação sobre indisciplina nunca chegou a ser aplicada. Até ao momento, a família não obteve qualquer resposta.
Foi precisamente no dia 12 de Março que o director regional de Educação de Lisboa visitou a escola, tendo explicado, à saída, que o inquérito conduzido pela IGE visa esclarecer se há alguma relação entre o suicídio e os actos de indisciplina a que o docente era sujeito. Nesse mesmo dia, José Joaquim Leitão afirmou que "é do conhecimento público" que Luís apresentava "uma fragilidade psicológica desde há muito tempo". No seu computador pessoal, o professor deixou escrito que "a única solução apaziguadora" para a sua situação seria "o suicídio" e que não voltaria a tolerar ouvir que era um "careca" ou um "cão".
O PÚBLICO apurou que a direcção da escola comunicou informalmente à IGE que o professor tinha morrido sem revelar os conflitos. Mas a inspecção recebeu a 10 de Março uma denúncia onde eram dados pormenores sobre a relação entre a morte de Luís e a falta de apoio da direcção da escola onde o professor ensinava desde Setembro. Informação semelhante foi enviada para a Direcção Regional de Educação de Lisboa a 4 de Março.


