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Hoje os alunos não vão às aulas e pedem aos colegas que "não se baldem"

04.02.2010 - 10:24 Por Romana Borja-Santos

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Nicole Santos passou o dia de ontem a fazer faixas com palavras de ordem para os protestos Nicole Santos passou o dia de ontem a fazer faixas com palavras de ordem para os protestos (Fernando Veludo/NFactos)
Nicole Santos não tem mãos a medir para ultimar as faixas com palavras de ordem e preparar os panfletos repletos com as queixas dos estudantes. Hoje há alunos que vão trocar as salas de aula pelos portões das escolas. Estão em rota de colisão com as políticas do Governo.

Os anos passaram mas os problemas são quase os mesmos, assegura esta estudante de 17 anos, que frequenta o 12.º ano na Escola Secundária João Gonçalves Zarco, em Matosinhos. Contudo, desta vez, o objectivo dos estudantes não é encher as ruas de Lisboa. Querem "regionalizar" os protestos e mostrar ao Ministério da Educação que não pode olhar para os alunos como um todo. Mesmo assim, há muitas causas comuns: educação sexual, democracia e um novo Estatuto do Aluno são reivindicações que querem ver atendidas. "Já!"

O dia de luta foi convocado pela Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico, de cuja direcção Nicole faz parte. A aluna assegura que no protesto de hoje a educação sexual, apesar de ser uma exigência antiga, ganhou voz e peso. Mas a velhinha liberdade continua a ser uma reivindicação. Segundo a aluna, se Luís de Camões visitasse hoje as escolas provavelmente emendaria o poema "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". E insiste: "Quase nada mudou. As nossas lutas só se agravaram e temos ainda mais preocupações. A imagem que se tem passado é que os jovens não têm consciência, mas não é assim. O nosso principal objectivo continua a ser atingir uma educação pública gratuita e de qualidade e estão a silenciar-nos."

Manifestações

Um silêncio que Nicole atribui às direcções das escolas, que diz que estão a dificultar a organização de reuniões gerais de alunos e a marcação de manifestações. Como exemplo, dá alunos que alegadamente têm processos no Departamento de Investigação e Acção Criminal por terem participado em protestos. Por isso, pede aos colegas que hoje "não se baldem" e que venham para os portões das escolas, já que "quando a luta avança os alunos têm vitórias". Os que forem de Lisboa e do Porto podem juntar-se a uma manifestação à porta do Ministério da Educação e na Avenida dos Aliados, respectivamente. E Nicole espera que esta luta dê origem a mais liberdade, ao fim dos exames nacionais, das aulas de substituição, a uma gestão das escolas em que os estudantes entrem e a um Estatuto do Aluno claro e que se adapte às diferentes realidades das zonas do país.

Pedro Araújo, presidente da Associação Nacional de Directores de Escolas, rejeita prontamente as críticas de repressão, sublinha que no que diz respeito ao Estatuto dos Alunos "há uma grande coincidência de opiniões" e insiste que os próprios professores são uma classe onde o associativismo é uma constante, pelo que não faria sentido que se opusessem.

Rita Santos, aluna da Escola Secundária de Henriques Nogueira, em Torres Vedras, também acredita que "vir para a rua é mais do que uma necessidade, é uma obrigação". E acrescenta: "Temos direito a uma escola pública de qualidade mas também temos de lutar por ela." Sobre os actuais problemas, explica que o mais recente é o "risco de privatização". "Com a remodelação das escolas que a Parque Escolar está a fazer há serviços como as cantinas e os bares que estão a ser entregues a privados e os preços estão a subir", alerta. A falta de condições humanas e técnicas das escolas e "o número cada vez maior de adolescentes grávidas ou com doenças sexualmente transmissíveis" são outras das actuais preocupações.

No entanto, o protesto de hoje não tem o apoio da Plataforma Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário, que representa mais de 50 associações. A Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico representa mais de 100. Isto porque, segundo explica Eduardo Fernandes, porta-voz da plataforma e aluno do 11.º ano da Escola Secundário Emídio Garcia, em Bragança, este grupo não se revê no protesto "extremista e radical" e duvida que seja útil depois de o ministério ter revelado "abertura" e ter mostrado que está a "avançar".

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MA

04.02.2010 10:43

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