Governo quer reduzir para metade a taxa de insucesso escolar no ensino superior

19.01.2010 - 23:58 Por Bárbara Wong
As Grandes Opções do Plano (GOP), nos próximos quatro anos, prevêem que o insucesso escolar no ensino superior seja reduzido para metade. Segundo números de 2008, a taxa média de sucesso escolar é de 69 por cento. Portanto, o Governo quererá reduzir na ordem dos 15 por cento o insucesso.
O segredo para a concretização desta medida pode estar nos 23 projectos de diagnóstico, promoção do sucesso escolar, de combate ao abandono e ao insucesso já financiados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) e a funcionar em diversas universidades e politécnicos. Também os contratos de confiança, acordados com as instituições a semana passada, prevêem que as universidades e politécnicos se comprometam no aumento do sucesso escolar e integração dos alunos.
Nos últimos anos, Portugal viu melhorar o seu índice de sucesso escolar no ensino superior, registando em 2008 um valor de 69 por cento, praticamente igualando a média nos países da OCDE, de 70 por cento. Este é um indicador que corresponde à proporção de diplomados num determinado ano, em relação aos inscritos pela primeira vez no 1° ano.
Outra medida prevista nas GOP é o aumento das vagas nos cursos de Medicina em pelo menos 15 por cento. Apesar da Ordem dos Médicos e das associações ligadas ao sector se mostrarem contrárias, quer o ex-ministro da Saúde Correia de Campos como Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sempre se manifestaram a favor do crescimento de lugares nesta área. Nos últimos anos, as vagas cresceram 36 por cento e o MCTES decidiu abrir dois novos cursos, nas universidades do Algarve e em Aveiro, com formações destinadas a estudantes já licenciados. Gago não tem posto de parte a possibilidade de permitir a abertura de novos cursos de Medicina.
O Governo prevê ainda aumentar de 1500, em 2008, para 2500 os doutorados a sair anualmente das universidades. Para este número podem contribuir os professores dos politécnicos e universidades que estão agora a investir no seu doutoramento, por exigência legal, bem como os bolseiros.
Outras medidas ontem apresentadas estão já previstas nos contratos de confiança como o aumento do número de estudantes inscritos no ensino à distância e a generalização da oferta de cursos de especialização tecnológica – o Governo contratualizou um aumento do financiamento em dez por cento, em contrapartida as instituições formarão cem mil activos.
No que diz respeito ao ensino básico e secundário a aposta continua a ser na formação dos jovens e adultos, através das Novas Oportunidades mas também, no caso dos jovens do ensino secundário, na maior oferta de dupla certificação. A aposta na detecção precoce de situações de risco e o combate ao insucesso e ao abandono são outras das medidas previstas. Com a mudança da escolaridade obrigatória de nove para 12 anos, o Governo prevê que o sistema educativo absorva mais 40 mil alunos no secundário, para tal, o investimento vai continuar na melhoria das condições físicas através do programa de modernização das escolas e do plano tecnológico. Também a formação dos professores vai contribuir, assim como o reforço do apoio social e financeiro às famílias.
Quanto ao básico, estão já anunciadas mudanças curriculares, a novidade é que estas serão faseadas e entrarão no currículo até ao ano lectivo de 2012/2013.

