Lamenta que em Portugal não existam rankings que comparem universidades. E vai nomear um pró-reitor só para tratar deste tema. Acredita que o país precisa de mais diplomados. Mas que há cursos a mais. Fernando Manuel Ramôa Ribeiro, de 65 anos, reeleito por unanimidade reitor da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), onde estudam mais de 22 mil alunos, tomou hoje posse.
Defende a fusão dos Serviços de Acção Social (SAS) das universidades de Lisboa. Porquê?
Actualmente estão totalmente separados. Penso que todos ganharíamos se houvesse poupança de meios.
E é possível ir mais longe, para além da fusão dos SAS? Actualmente existem quatro instituições universitárias públicas na capital [sem contar com a Universidade Aberta].
É verdade que, hoje em dia, e sobretudo em termos dos rankings, a massa crítica, o número de alunos e a excelência são os critérios fundamentais. Em Lyon, a ministra francesa fundiu tudo - eles tinham quatro faculdades de Medicina, por exemplo; fundiram em duas [a Universidade de Lyon tem hoje 120 mil alunos]. Nós queremos ficar bem situados nos rankings europeus, mas quando começarmos a aparecer com 20 e tal mil alunos, logo aí temos uma grande desvantagem em relação a instituições europeias maiores...
No futuro, estou disponível para falar sobre este assunto. A UTL tem uma gestão muito diferente da que existe noutras universidades. Noutras, o poder está muito mais concentrado no reitor; no caso da UTL, até porque muitas das suas faculdades são mais antigas do que a própria universidade, estas têm uma grande autonomia que não querem perder - e eu também não me sinto mal nesta posição. Tenho poderes suficientes para exercer a minha magistratura de influência em relação ao que acho importante e estes últimos quatro anos foram muito proveitosos. A minha eleição por unanimidade deu-me imensa satisfação porque demonstrou a coesão que existe. E que não existia.
Sente da parte dos outros reitores a mesma disponibilidade para falar de fusões?
O reitor da Universidade de Lisboa (UL) tem-na manifestado publicamente... Com os outros reitores não tenho falado.
Mas é inevitável que acabe por acontecer?
É inevitável se se preservar a autonomia das universidades, com o seu próprio modelo de gestão. Seria importante associar também todos os centros de investigação de Lisboa. Mas é naturalmente um processo longo. Estas fusões em França demoraram oito, nove anos a acontecer, porque há uma grande resistência das universidades.
Dou um exemplo: a UL não tem cursos de Economia nem de Gestão. Nós temos o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), que é a escola mais antiga nesta área... Mas a UL tem Direito. E nós não temos Direito. Já temos dito que era importante ter maior mobilidade de docentes de Direito para a nossa universidade e docentes de Economia e Gestão para a faculdade de Direito. Isso são coisas de que já estamos a tratar. E já há vários doutoramentos conjuntos, que têm sido um sucesso.
Em Portugal é preciso racionalizar o sistema de ensino superior. Há universidades a mais, politécnicos a mais, licenciaturas a mais, mestrados a mais. A agência da avaliação e acreditação do ensino superior (A3ES) tem feito um bom trabalho, mas não pode tomar decisões políticas.
Nos EUA, pelo menos até há algum tempo, para que uma universidade fosse criada tinha que ter dois milhões de pessoas à volta. Em Portugal se essa regra existisse... [no país existem 15 universidades públicas].
Há condições para começar já esse debate das fusões?
Vamos aguardar algum tempo e talvez dentro de seis meses possamos começar a discutir.
Significa transformar as instituições universitárias que existem em Lisboa numa só?


