Que prioridades para o próximo Governo? Para a Frente Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), a resposta parece ser óbvia: “É essencial que esta legislatura acabe com a actual divisão da carreira docente, e que retire a carga burocrática inútil que tanto desgasta hoje os docentes portugueses”, afirma num comunicado divulgado esta manhã. Mais um tópico: “A avaliação de desempenho deve ser substituída por uma outra que resulte de diálogo e negociação”.
A FNE considera que só assim se procederá ao “restabelecimento de um clima de confiança" entre as escolas e o Ministério da Educação. A FNE anunciou já que irá pedir reuniões com os futuros responsáveis dos ministérios que tiverem a tutela da educação, frisando ser “essencial que se actue na base de negociação e de um sólido diálogo social que possa conduzir a soluções de compromisso e concertação”.
APEDE apreensiva
O fim da maioria absoluta do PS foi um dos grandes obejctivos apontados para as eleições domingo por sindicatos, movimentos e blogues de professores. Apesar de alcançado, a APEDE, um dos movimentos independentes constituídos nos últimos dois anos, não faz a festa. “Há que reconhecer que os resulatdos eleitorais não abalaram significativamente as piores políticas da 5 de Outubro”, escreve hoje no seu site.
“A ascensão anunciada de uma Isabel Alçada para a pasta da educação, com um perfil mais "simpático”, está muito longe de ser uma vitória para os professores”.
Para a APEDE, é quase certo que o novo governo vá “deixar cair o modelo de avaliação de desempenho”, mas manterá aquilo que “essencial” e que, acrescenta, acabou também por ser “negligenciado” pelos movimentos de professores: “Continuamos a ter esta diferença espúria entre titulares e não titulares” e também “directores potencialmente arbitrários e despóticos”.
Ramiro Marques, animador do blogue Profavaliação, que se confessa amigo de Isabel Alçada, considera que “hoje, os professores entram na escola com menos medo do que há três dias atrás. E isso é bom e é possível porque o PS perdeu a maioria absoluta”.


