O secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos de Professores (FNE), João Dias da Silva, considerou hoje positiva a possibilidade de as escolas com problemas poderem contratar técnicos, mas defendeu que a medida deve ser generalizada a todas as escolas.
"É uma medida positiva mas deve ser generalizada a todas as escolas e não apenas aos agrupamentos de escolas identificados como 'Territórios Educativos de Intervenção Prioritária' como diz o secretário de Estado da Educação", disse o representante da FNE.
O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, anunciou ontem que as escolas com problemas graves de indisciplina podem apresentar ao Ministério da Educação uma proposta de contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos.
Valter Lemos ressalvou que a possibilidade de contratação destes profissionais é reservada, sobretudo, aos 35 agrupamentos de escolas identificadas como "Territórios Educativos de Intervenção Prioritária", mas poderá igualmente ser utilizada por outros estabelecimentos de ensino, desde que estes fundamentem o seu pedido, invocando a existência de "um problema específico" de violência e indisciplina.
João Dias da Silva considerou que a medida só foi anunciada depois de "as coisas acontecerem", referindo-se ao caso recentemente divulgado de uma professora da Escola Carolina Michaëlis, no Porto, que foi vítima de uma cena de violência física e verbal por parte de uma aluna, depois de lhe retirar o telemóvel.
A FNE defende que as escolas devem contar com equipas constituídas por psicólogos e assistentes sociais que façam um levantamento do dia-a-dia nas escolas para prevenir problemas de indisciplina ou violência. "As equipas devem trabalhar em cooperação, em articulação com os professores para poderem pôr em marcha mecanismos preventivos", disse Dias da Silva. "A medida agora apresentada é um bom princípio, mas resta saber com que meios as escolas vão conseguir formar estas equipas e se as escolas vão ser prejudicadas", referiu.


