A Fenprof vai pedir ao Governo a abertura de um processo negocial tendo em vista a introdução de alterações ao regime de gestão escolar, entre as quais a possibilidade de as escolas optarem entre um director ou um conselho executivo.
Em conferência de imprensa, Manuela Mendonça, do secretariado nacional da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) defendeu hoje que “no imediato” são necessárias seis alterações ao actual decreto-lei, mas acrescentou que a médio prazo é necessário “um modelo alternativo”.
“Qualquer modelo de avaliação aplicado ao mesmo tempo que o actual regime de gestão escolar está condenado ao fracasso. Será sempre um processo viciado devido à concentração de poderes no director da escola”, afirmou a dirigente sindical.
Por isso, a Fenprof defende a possibilidade de as escolas voltarem a poder optar entre um órgão de gestão unipessoal (director) ou colegial (conselho executivo), o reforço das competências e autonomia do Conselho Pedagógico (actualmente presidido automaticamente pelo director), a eleição dos coordenadores de departamento pelos docentes (agora nomeados pelo director) e a flexibilização na definição das estruturas intermédias.
“Não aceitamos que tenham desaparecido um conjunto de processos eleitorais a favor de nomeações. Nenhum estudo garante que a imposição de um órgão de gestão unipessoal garante uma melhor direcção”, acrescentou, lembrando que, no anterior modelo, 98 por cento das escolas e agrupamentos optaram por um conselho executivo. Para o secretário-geral da Fenprof existe uma “contradição” entre o discurso da autonomia e o decreto-lei 75/2008, que instituiu o actual modelo de gestão, autonomia e administração escolar.
“A direcção das escolas está hoje localizada fora das escolas. O que há são órgãos que cumprem as directivas das direcções regionais e do Ministério da Educação. O controlo e condicionamento ocorre ao mesmo tempo que um discurso de autonomia das escolas”, afirmou Mário Nogueira. O responsável exortou a actual equipa ministerial, liderada por Isabel Alçada, a ter “coragem política” para resolver um dos mais graves problemas com que as escolas se debatem: “Falta de democracia no seu funcionamento”.
Segundo Mário Nogueira, numa das primeiras reuniões com a nova equipa Ministério da Educação, a Fenprof entregou um dossier sobre matérias prioritárias, entre as quais a gestão escolar. “O Ministério disse que estava disponível para fazer esta discussão e realizar este debate”, acrescentou, indicando que o pedido de negociação parlamentar será realizado em Março, juntamente com a entrega de propostas de alteração.
A Fenprof vai entregar ao ME e aos grupos parlamentares um “manifesto em defesa da gestão democrática”, a ser subscrito pelos professores, e um encontro nacional de balanço de um ano de aplicação deste diploma, no final do ano lectivo. Caso o ME não aceda à realização de um processo negocial para a revisão do regime de gestão escolar, a estrutura sindical admite recorrer à Assembleia da República, onde PCP e Bloco de Esquerda já manifestaram a intenção de alterar o diploma.


