Fenprof promete contestação no início do ano lectivo e ministério critica sindicato

27.07.2009 - 14:49 Por Lusa
A Fenprof disse hoje esperar um início de ano lectivo "conturbado", marcado por "muita contestação" e trabalho por uma "revisão séria" do Estatuto da Carreira Docente, enquanto o Ministério da Educação critica posição "lamentável" do sindicato.
A reunião de hoje entre a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e a tutela tinha como pano de fundo a negociação do Estatuto da Carreira Docente, mas as partes não se entenderam. Para a Fenprof, depois do fim desta ronda negocial, adivinha-se uma época de campanha eleitoral com muita contestação por parte dos professores.
"Para nós foi uma não revisão do Estatuto [da Carreira Docente], em que nada daquilo que pretendíamos foi acatado pelo Ministério da Educação, tudo nos foi imposto. Não houve da parte do Ministério da Educação qualquer aproximação às nossas propostas", criticou a dirigente sindical Anabela Sotaia, em declarações aos jornalistas, no final da reunião com a tutela.
Nesse sentido, a Fenprof espera do início do próximo ano lectivo "uma revisão séria e profunda do Estatuto da Carreira com o novo Governo que sair das eleições de 27 de Setembro". Rever o Estatuto da Carreira Docente "é a matéria prioritária", sublinhou Anabela Sotaia. De acordo com a dirigente sindical, logo no dia 1 de Setembro vai ser apresentada publicamente a carta reivindicativa dos professores e educadores a todos os partidos políticos.
Polémica nas colocações
O início do ano lectivo "poderá ser conturbado e poderá agravar-se ainda mais quando soubermos os resultados das colocações dos professores no final de Agosto, porque muito poucos dos professores contratados irão ter colocação no final de Agosto, e porque há ainda milhares de professores, nomeadamente dos quadros de zona pedagógica, que não obtiveram no início de Julho lugar de quadro ou de escola de agrupamento", entende a dirigente da Fenprof. "Adivinha-se logo um ano a abrir de muita contestação", acrescentou, não especificando, no entanto, se isso poderá significar mais manifestações por parte dos professores.
Já a tutela considera que a Fenprof teve uma posição "absolutamente lamentável" durante o decorrer das negociações. "Demonstra a posição que tem vindo a tomar e que nada tem a ver com a defesa dos interesses dos docentes, mas tem a ver com questões de ordem política", criticou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, em declarações aos jornalistas.
De acordo com Jorge Pedreira, durante a reunião, a Fenprof deixou claro que preferia que o Governo não aprovasse as alterações ao Estatuto da Carreira Docente, alterações que a tutela entende que vão beneficiar todos os professores. "Encurtar a carreira em cinco anos, permitir melhores condições de progressão para os professores que não consigam chegar a professor titular e um novo escalão de topo para que aqueles que estão neste momento no topo da carreira possam progredir. É isto que a Fenprof disse hoje que preferia que o Governo não aprovasse", frisou o governante.
Depois da reunião de hoje com a Fenprof, o Ministério da Educação reúne amanhã com a Federação Nacional dos Sindicatos de Professores (FNE), mas Jorge Pedreira reiterou que o Estatuto da Carreira Docente avançará para aprovação em Conselho de Ministros mesmo que não haja um acordo com os sindicatos.

