Fenprof entregou primeira providência cautelar para suspender avaliação de professores 
04.02.2008 - 18:13 Por Lusa
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) entregou hoje no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra a primeira de quatro providências cautelares que visam suspender os procedimentos internos das escolas para avaliação do desempenho dos professores. A Fenprof alega que a legislação não está a ser cumprida e imputa ao Ministério da Educação (ME) responsabilidades no processo, acusando-o de não ter constituído um conselho científico como manda a lei.
"Era preciso que o ME tivesse constituído o Conselho Científico que iria elaborar recomendações para as escolas. Estamos a dizer ao Ministério da Educação que, embora não concordando com uma legislação que foi imposta, não pactuamos com facilitismos", explicou Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof.
Segundo o sindicalista, a legislação datada de 19 de Janeiro de 2007 impunha a constituição do conselho científico "e só a 13 de Dezembro é que o Conselho de Ministros aprovou um decreto-regulamentar" que criou aquele órgão. "Mas o decreto só diz como é constituído, fala em abstracto de 21 elementos, não se sabe quem são as pessoas, só quem preside", alegou.
O processo, acusa a Fenprof, teve seguimento a 10 de Janeiro deste ano, num despacho que dava "20 dias úteis às escolas para aprovarem os mecanismos de avaliação sem as obrigatórias recomendações do Conselho Científico".
A 24 de Janeiro, ainda segundo o dirigente da Fenprof, o secretário de Estado Adjunto e da Educação publicou um despacho "que delega as competências do Conselho na presidente e, em anexo, saem as recomendações", para as escolas.
"É uma coisa extraordinária. A senhora presidente substitui-se ao órgão a que preside. Contactámos vários juristas que consideram que tal delegação de competências é ilegal", sustentou Mário Nogueira. E acrescentou: "O Ministério da Educação, que é tão exigente com as escolas e os professores, utiliza, afinal, a tão portuguesa lei do desenrasca. Nós não queremos que a legislação mude, apenas que o ME a cumpra", sublinhou.
Mário Nogueira frisou que as restantes providências cautelares serão entregues quarta e quinta-feira, em Lisboa, Porto e Beja.
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