Três ou quatro exames nacionais realizados numa única semana. Esta é a consequência de todos os candidatos a exame no ensino secundário terem de os fazer na 1.ª fase.
Em vez de dois exames nacionais numa semana, a maioria dos alunos do ensino secundário terá agora de fazer três ou quatro no mesmo espaço de tempo. Ricardo Almeida, da Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário, não tem dúvidas por isso de que os estudantes "vão ser muito prejudicados" pelas novas normas de realização dos exames, divulgadas sexta-feira pelo Ministério da Educação e Ciência.
Na quarta-feira, em Coimbra, o ministro Nuno Crato disse, pelo contrário, que "o que não pode acontecer é os alunos fazerem os exames quando lhes apetece". "Estamos a prejudicar todos com isso. Estarmos a prejudicar o processo de entrada no ensino superior e o funcionamento das escolas", afirmou.
Até agora, os alunos do secundário podiam escolher quais os exames que realizavam na 1.ª e na 2.ª fase. Mas, a partir deste ano, a 1.ª fase passará a ser obrigatória para todos, passando a 2.ª fase a ser exclusivamente para os que chumbaram na primeira vaga ou para melhoria de nota.
A 1.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário realiza-se entre 18 e 26 de Junho com carácter obrigatório, havendo 2.ª chamada para situações excepcionais, de 13 a 18 de Julho, segundo os termos publicados sexta-feira passada, em Diário da República.
O ministério diz ainda que este calendário exige aos alunos uma melhor gestão na preparação para os exames. Os alunos que realizem os exames com sucesso na 1.ª fase poderão candidatar-se logo ao primeiro concurso de acesso ao ensino superior. Este calendário vai permitir ainda antecipar em cerca de uma semana os resultados das candidaturas ao superior.
Há um mês, o PÚBLICO noticiou que, a partir deste ano, os exames e as provas nacionais do ensino básico e secundário “não devem incluir questões demasiado simples para o nível de escolaridade em causa”. A recomendação foi feita pela secretária de Estado Isabel Leite numa informação dirigida ao Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), o organismo responsável pela elaboração daqueles instrumentos de avaliação.
Essa informação refere-se não só aos exames nacionais do final do ensino secundário, mas também às provas finais no 4.º e 6.º anos de escolaridade a Português e Matemática que, ao contrário das actuais provas de aferição, vão contar para a nota final do aluno (30 por cento) - este ano entra em vigor a prova final do 6.º ano, com um peso de 25% na nota que o aluno terá no fim do ano lectivo, mas a título excepcional, por ser a primeira vez -, e à prova final do 9.º ano.
Notícia actualizada às 12h32foi acrescentada informação que saiu na edição impressa do PÚBLICO, no passado dia 14 de Janeiro.


