Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa em protesto

21.10.2011 - 15:50 Por Andrea Cunha Freitas
Luto académico durante uma semana, a faculdade forrada a negro, uma marcha e uma vigília na próxima quarta-feira. É desta forma que a Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (AAFDUL) pretende protestar contra “a deficiente distribuição do serviço docente” que, alegadamente, faz com que existam turmas com cerca de 100 alunos quando deveriam ter 30 ou 40.
Uma situação escandalosa, refere Gonçalo Carrilho, presidente da AAFDUL, que aponta ainda para casos de turmas sem professor passado um mês do início das aulas.
“É insólito. Terceiro-mundista. Temos casos de alunos que daqui a 15 dias têm exames e que ainda não tiveram aulas porque não têm professor”, denúncia Gonçalo Carrilho dando o exemplo da disciplina de Economia Política, do primeiro ano. No entanto, “o problema maior” na faculdade frequentada por mais de três mil estudantes será o excesso de alunos por turma que ultrapassa o previsto. “Temos turmas com cem alunos quando deveriam ter 30. Não é por falta de docentes. Há docentes na faculdade mas alguns estão só a fazer investigação e não dão aulas”, nota garantindo que as turmas com excesso de alunos não são “casos pontuais”. O dirigente associativo garante que os próprios professores “estão revoltados” porque não têm capacidade para dar resposta e avaliar tantos alunos. “Eles não podem dar a cara e pedem-nos: ‘Por favor façam alguma coisa porque nós não podemos porque estamos sujeitos a uma hierarquia interna”.
Após várias tentativas de resolver a situação junto da reitoria, direcção e conselho científico da faculdade, o presidente da AAFDUL diz que “a via institucional está esgotada”. “Dizem-nos que vão resolver ou estão a resolver a situação há um mês”, acrescenta Gonçalo Carrilho notando que o protesto anunciado para a próxima semana foi decidido na última Reunião Geral de Alunos.
Em declarações à TSF, o presidente do Conselho Científico da faculdade, Romano Martinez, afirmou que a situação já estava resolvida e ultrapassada, admitindo apenas algumas “situações excepcionais”. Martinez considerou ainda que as críticas dos alunos poderiam estar relacionadas com eleições que se vão realizar em breve. Porém, Gonçalo Carrilho devolve esta associação e contrapõe: “Eu fui eleito e reeleito por maioria. As nossas próximas eleições são em Março. O Conselho Científico é que terá eleições dentro de cerca de 15 dias”.

