Ensino privado continua a crescer, enquanto o público perde alunos

02.03.2010 - 09:08 Por Bárbara Wong
A quebra da natalidade faz-se sentir nas escolas, mas isso acontece mais nas públicas do que nas privadas.
Nos últimos dez anos, o ensino público perdeu mais de 135 mil alunos, do pré-escolar ao ensino secundário. No entanto, o número de estudantes nos colégios e externatos aumentou de 15 para 18 por cento do total da rede, em dez anos. Entre 1998 e 2004, fecharam cerca de cem colégios. Mas o ensino privado ganhou um novo fôlego. E, de há seis anos para cá, surgem novos projectos anualmente.
As famílias que optam pelo privado procuram um ambiente seguro, um projecto educativo virado para o sucesso e um corpo docente estável, dizem os pais, os responsáveis pelas escolas, mas também os investigadores universitários.
No entanto, o ensino particular e cooperativo não tem um grande peso em Portugal. Segundo os últimos dados disponibilizados pelo Ministério da Educação, referentes ao ano lectivo de 2007/2008, o número de alunos representa apenas 18 por cento do total, entre o pré-escolar e o ensino secundário. Contudo, a procura é muito grande e a oferta tem tentado acompanhá-la, aponta Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (Aeep).
Todos os anos, abrem novas escolas, sobretudo creches, jardins-de-infância e escolas do 1.º ciclo. Mas há também grandes projectos a inaugurar não só em Lisboa e no Porto, como noutras capitais de distrito.
Um exemplo: na última década, em Lisboa, a zona do Parque das Nações, a antiga Expo "98, cresceu exponencialmente e apenas uma escola pública dava resposta aos pais que ali vivem, com uma procura muito superior à oferta. Há muito que está prevista a construção de outra escola pública. Mas isso ainda não aconteceu e, a pouco e pouco, surgiram algumas creches e jardins-de-infância privados ou cooperativos. No último ano, o grupo GPS, com mais de 20 escolas em todo o país, abriu o Colégio Oriente, com uma oferta que vai do pré-escolar ao 9.º ano.
No próximo ano, o Externato João XXIII vai mudar de instalações, para o Parque das Nações, onde continuará a oferecer da creche ao final do 3.º ciclo. E, na mesma zona, também vai começar a funcionar, pela primeira vez, o Colégio Pedro Arrupe, uma colaboração do grupo de construção civil Alves Ribeiro e da Província Portuguesa da Companhia de Jesus, ou seja, uma escola com todas as condições - piscina de 25 metros e campo de futebol incluído -, para alunos dos três anos ao final do secundário, de inspiração inaciana, como são os colégios dos jesuítas. Daqui a três anos, o novo colégio conta ter 1640 alunos. Para já, começará com 800, informa Ana Maria Vaz, directora pedagógica.
"As famílias procuram projectos de segurança e há muito a preocupação com a qualidade do ensino", refere a directora do Pedro Arrupe, dando como exemplo que algumas das perguntas que os pais fazem, no momento de fazer a inscrição, é sobre quem são os professores. "Para os pais, é importante que sejam competentes", reforça.
Os horários são outro factor que torna o ensino privado atractivo. A Pedro Arrupe vai estar em funcionamento das oito da manhã às 19h30; mas há creches e jardins-de-infância que estão abertas à noite ou que se oferecem para ficar com os bebés caso os pais queiram ir jantar fora ou sair.
"Os pais trabalham e os colégios têm as crianças até mais tarde do que as escolas públicas", avalia Stella Aguiar, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e autora de um estudo sobre os alunos do ensino particular. A especialista lamenta o cansaço das crianças e as consequências de estarem envolvidas em tantas actividades extra-curriculares.
O que dá a escola?

