Eduard Estivill e Yolanda Sáenz de Tejada

“É preferível 20 minutos a jogar, do que duas horas frente à televisão”

04.03.2010 - 10:22 Por Bárbara Wong

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 (Daniel Rocha)
Os autores de “Vamos jogar!” dizem que os pais de hoje em dia, que têm um ou dois filhos, se sentem culpados por não estar mais tempo com eles.

A escritora e criativa espanhola Yolanda Sáenz de Tejada agarrou na sua experiência de mãe e decidiu escrever um livro com 46 jogos para pais e filhos. A ideia é que os mais novos, entre os três e os 12 anos, aprendam de uma maneira divertida regras de boa educação. O pediatra Eduard Estivill leu e deu o aval científico a “Vamos jogar!”

PÚBLICO – Porquê ensinar regras fundamentais com jogos?

Yolanda Sáenz de Tejada (YST) – Porque através do jogo eles aprendem mais facilmente. Também para os pais é mais fácil ensinar de uma forma divertida. Se insistimos, sem os motivar, eles não escutam. Com o jogo, aprendem melhor. Os jogos promovem a memorização e a imaginação porque não estão pensados só para aprender as regras.

Eduard Estivill (EE) – Se os pais fazem um jogo para ensinar, a criança entende mais rapidamente.

P. – Os pais têm tempo para fazer jogos? Não é mais fácil dar uma ordem?

YST. – O livro foi pensado para fazer parte da vida dos pais porque os jogos não requerem muito tempo, mas apenas aquele que os pais estão com os seus filhos. Estes jogos [foram feitos a pensar] no tempo que eu tenho para os meus filhos.

P. – Além dos seus filhos, os jogos foram aplicados a outras pessoas?

EE. – Esta é uma ferramenta para os pais de hoje em dia, que têm um ou dois filhos e se sentem culpados por não estar mais tempo com eles. Com este livro explicamos que o melhor é a qualidade e não a quantidade de tempo que estão com os filhos. É preferível estar 20 minutos e fazer um jogo do que estar duas horas à frente da televisão. Todos os jogos foram experimentados por muitos pais, amigos meus e de Yolanda, mas também em escolas e creches.

P. – Na educação, mesmo através do jogo, os pais devem promover a recompensa por um bom comportamento?

YST. – O prémio é a compensação pelo esforço. Não são prémios materiais, porque a obrigação dos filhos é fazer bem, o prémio é pais e filhos estarem juntos. A criança teve que fazer um esforço, o jogo ajuda-o a fortalecer, a unir a família. O objectivo é que aprendam as regras. Fazem um esforço e por isso são recompensados. Os pais não estão a comprá-los, mas estão com os filhos e essa é a maior recompensa.

P. – E se a criança não quiser jogar, não aprende como comportar-se?

YST. – Isso nunca acontece porque para a criança o que está a fazer com os pais não é jogar, mas partilhar. Olham o jogo como um momento de partilha com o pai e com a mãe. Além disso, não há nenhuma criança que não goste de jogar!

EE. – Os pais não lhe explicam: “Vamos jogar para aprenderes a tirar os cotovelos de cima da mesa.” O jogo entra na rotina da família com naturalidade.

P. – Através dos jogos a criança aprende a ser autónoma e responsável?

EE. – O que explicamos já foi demonstrado. Há quem acredite que os filhos podem fazer tudo, sem regras. Para nós, a sociedade pede-nos normas, ou seja, não podemos fazer o que queremos e se os pais pretendem que os filhos se adaptem à sociedade, têm que ensinar-lhes regras, eles precisam de limites para se tornarem autónomos.

YST. – Os pais têm que criar crianças mentalmente sãs, que respeitem quem têm à sua frente e respeitar significa ajudar, não levantar a voz, partilhar... E tudo isso pode ser aprendido com jogos. É uma ferramenta para educar para os valores mas de uma forma divertida

P. – Faz falta aos pais e aos filhos ter uma relação divertida?

YST. – É fundamental!

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