Duas dezenas de alunos do básico e secundário marcam presença na manifestação em Lisboa

13.04.2005 - 11:31 Por Lusa
Pouco mais de duas dezenas de alunos dos ensinos básico e secundário estavam concentrados às 10h00 no Saldanha, o ponto de encontro marcado pelos estudantes para o início de um dia nacional de luta contra a política de educação do Governo.
Em causa está o descontentamento dos estudantes dos ensinos básico e secundário contra a aplicação da nova Lei de Bases da Educação - algo que consideram ser o primeiro passo para a privatização do ensino -, e a exigência do fim dos exames nacionais do 9º ano.
Questionada pela agência Lusa sobre a reduzida adesão dos estudantes dos ensinos cásico e secundário a esta iniciativa, uma representante da Delegação Nacional das Associações de Estudantes (DNAE) atribuiu a responsabilidade aos conselhos executivos das escolas, a quem acusou de "boicotaram a saída dos alunos".
"A atitude dos conselhos executivos demonstra um descrédito em relação aos alunos e aos seus interesses, fazendo passar a ideia de que os estudantes só querem dias sem aulas", acrescentou Lígia Faria.
Sobre o facto de esta manifestação contra o Governo ocorrer quando ainda só passou um mês desde a tomada de posse do Executivo socialista, e também por não ter sido pedida nenhuma reunião com a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, a representante da DNAE desvalorizou as questões.
"Ao dizer que vão continuar com os exames, o Governo já demonstrou que os interesses dos estudantes não vão ser atendidos", respondeu Lígia Faria, confirmando que não foi pedida nenhuma audiência com a responsável ministerial, e acrescentando que o Programa do Governo "não prevê nada" em termos de educação.
Alunos da Guarda fecham portões
Os portões da Escola Secundária Afonso de Albuquerque, na Guarda, foram esta manhã fechados a cadeado pelos alunos, no âmbito da jornada nacional de luta. A escola é a maior da Guarda, com mais de 1400 alunos.
As correntes de ferro que impediam a entrada de professores e alunos no edifício foram cortadas por um funcionário da escola, por determinação do Conselho Executivo, pelo que as actividades escolares retomaram já a normalidade, disse à Lusa o presidente daquele órgão, António Soares.
A Associação de Estudantes (AE) justificou também a acção de protesto de hoje com a alegação de que os "horários de funcionamento impostos" na escola "não se adequarem ao normal funcionamento da AE, sendo necessário e urgente alterá-los", e acusou a direcção da escola de "incompreensão de quem trata directamente com a associação".
António Soares recusou esta acusação e disse que "tem havido sempre um espírito de diálogo".
Depois de cortadas as correntes que fechavam os portões da escola, os alunos encaminharam-se para o Governo Civil da Guarda, onde estão concentrados.

