Jacinta Moreira, professora de Biologia e Geologia da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, recebeu hoje o Prémio Nacional do Professor, um galardão que distingue "aqueles que contribuem de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino".
A docente, que recebeu um prémio com um valor pecuniário de 25 mil euros pelas mãos da ministra da Educação, sublinhou que a distinção simboliza "a potencialidade positiva de regeneração do sistema", considerando-a "um reconhecimento e um estímulo".
Jacinta Moreira, que aposta na "acção, reflexão e relação" na sua actividade, realizou um mestrado no âmbito da Geologia em 2001 e do doutoramento no ramo das Ciências da Educação em 2007.
Esteve requisitada na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em 2001/2002, a leccionar a disciplina de Didáctica da Geologia, mas optou por voltar para a Escola Secundária Carolina Michaelis, onde lecciona desde 1996.
Sobre o conturbado processo de avaliação de professores, Jacinta Moreira, já com 20 anos de carreira, considerou tratar-se de um processo "muito complexo", escusando-se, contudo, a tecer mais considerações sobre a matéria. "A educação é a minha prioridade. Sou professora, não sou política, cada escola é uma realidade muito concreta e tem desafios muito particulares", afirmou.
Questionada sobre uma das queixas mais frequentes dos professores relativas à complexidade do processo de avaliação, Jacinta Moreira disse: "O tempo não estica e se tivermos mais horas para trabalhar as nossas actividades, para delinear as nossas estratégias e construir os nossos materiais é evidente que a probabilidade de eles serem melhores é maior". "De quanto mais tempo dispusermos, melhores serão os resultados", frisou.
Professores têm "missão de uma enorme dificuldade"
Na sua intervenção, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues reconheceu que "nunca houve uma tão grande exigência colocada à profissão e às escolas no geral". "O simples enunciado de que a escolaridade é obrigatória e para todos, por um número de anos que é cada vez mais longo, atribui à escola e aos professores uma missão que é uma missão de uma enorme dificuldade", acrescentou a ministra.
Maria de Lurdes Rodrigues reconhece que "os desafios mais difíceis são os se que colocam aos professores de hoje", sendo o "dever e a obrigação" do ministério "dar-lhes as condições para que possam trabalhar".
Na segunda edição do Prémio Nacional de Professores foram premiados ainda outros quatro docentes nas quatros categorias de mérito Carreira (Afonso Rema), Inovação (Carlos Pinheiro), Liderança (João Paulo Mineiro) e Integração (José Rocheta).
Os candidatos à atribuição do Prémio Nacional de Professores ou dos prémios de Mérito foram propostos pelos estabelecimentos de ensino ou por um grupo constituído por um mínimo de 50 docentes.
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