Discussão pública da revisão curricular termina com quase 900 contributos

31.01.2012 - 16:44 Por Lusa
A discussão pública da proposta de revisão curricular do Ensino Básico e Secundário, apresentada em Dezembro pelo ministro da Educação, termina hoje com quase 900 contributos enviados ao ministério.
De acordo com o ministro, a proposta de reforçar as disciplinas fundamentais tem sido, no geral, “muito bem acolhida”.
O principal foco de críticas tem estado na eliminação de Formação Cívica.
Vários pareceres foram enviados por parte das organizações de professores e também o provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, quis entrar no debate, manifestando preocupação com este assunto, em particular com o fim de formação cívica.
A equipa liderada por Nuno Crato reuniu-se com os directores de escolas e agrupamentos de todo o país para debater o tema.
O Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão consultivo do Ministério da Educação, não entregou qualquer parecer dentro do prazo estabelecido, alegando precisar de mais tempo, quando contactado pela agência Lusa.
A Federação Nacional da Educação (FNE) enviou na sexta-feira um extenso documento, em que aponta falta de sustentação técnica e independente à proposta do Governo.
As principais críticas dos sindicatos prendem-se com a previsível dispensa de professores, daí que a FNE considere o documento oficial “um instrumento de contenção orçamental”. Idêntica posição tem sido defendida pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF).
Nuno Crato reconheceu que os recursos de Portugal "não são ilimitados", mas garantiu que a "preocupação" da proposta do Governo de revisão curricular dos ensinos básico e secundário é "a educação dos jovens".
Ninguém contesta o reforço de disciplinas como história e geografia, ciências, inglês ou português e matemática, mas tanto os directores escolares, como os pais, preferiam que se mantivesse a formação cívica, uma das áreas curriculares eliminadas, na proposta do Governo.
Os professores de informática aceitaram bem que Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) passassem a ser ensinadas no 2.º Ciclo, mas mantiveram a antiga reivindicação de alargar estas aulas aos seguintes ciclos de ensino.
Os professores de Educação Visual e Tecnológica (EVT) recusam que a reforma curricular acabe com a disciplina no 2.º Ciclo.
No meio da discussão, destinada a combater a dispersão curricular, houve também quem quisesse acrescentar mais uma disciplina ao currículo. O Centro Avançado de Sexualidades e Afectos propôs a criação de uma disciplina obrigatória de Educação Sexual para todos os graus de ensino.
Tanto os sindicatos como os partidos da oposição pretendiam que a discussão se prolongasse por mais tempo.
Segundo o ministro, a dispersão curricular em Portugal não tem paralelo na Europa. No próximo ano letivo, deverá entrar em vigor um novo modelo.

