Dirigentes escolares "muito angustiados" com cortes anunciados para o sector

18.10.2011 - 17:21 Por Lusa
Os dirigentes escolares afirmam-se “muito angustiados” com o que está no horizonte das escolas, em função dos cortes previstos na proposta de orçamento para 2012.
Ao ler o documento, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, confessa que lhe veio à memória o ministro da propaganda do Iraque no fim do regime de Sadam Hussein: “Estavam as bombas a cair e os americanos a entrar em Bagdade e ele a dizer que os americanos nunca haviam de entrar ali”.
Em declarações à agência Lusa, este dirigente escolar afirmou que “em termos dialécticos” o texto que justifica a proposta de orçamento dá a ideia de que todas as alterações são para melhorar o sistema, racionalizar a gestão e reforçar a autonomia das escolas.
“Toda a argumentação que se usa parece que é para melhorar a escola, parece que o futuro é muito promissor e muito bom e não é. A verdade é que este corte brutal no orçamento das escolas não traz nada de bom”, lamentou.
O professor questiona o que entenderá o Ministério da Educação por mais autonomia. “Fico preocupado quando fala em cortar 257 milhões de euros no ensino básico e secundário e em supressão de ofertas não essenciais, continuamos sem saber o que isso é, mas tenho muito receio”.
Para o presidente da associação, a situação prevista no documento é preocupante, especialmente numa altura de crise, em que as escolas “têm de dar respostas para uma maior equidade e igualdade dos alunos que vêm de uma sociedade onde os problemas são cada vez maiores, em termos económicos e sociais”.
Melhor gestão de recursos humanos e reordenamento da rede escolar são expressões que Manuel Pereira associa a despedimentos ou dispensa de pessoal, bem como ao encerramento de estabelecimentos.
“Fico muito preocupado com este orçamento”, disse, acrescentando que as escolas estão “no limite do que é possível para continuarem a dar uma resposta de qualidade e para garantir o sucesso educativo e escolar e combater o abandono”.
Com a política de cortes anunciada pelo Governo, o futuro vai ser “muito cinzento para as escolas e para os professores que ficarem no sistema, porque muitos vão ter de sair”, afirmou.
Manuel Pereira considera que será “muito difícil” aos docentes assegurarem o mesmo tipo de respostas e antevê “muitos problemas”.
O Ministério da Educação e Ciência vai cortar 864 milhões de euros de despesa em 2012, face à estimativa de 2011, de acordo com a proposta de lei de Orçamento do Estado apresentada na segunda-feira.

