Director do gabinete de avaliação pede confiança em quem faz os exames

23.01.2009 - 09:13 Por Graça Barbosa Ribeiro
O director do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) do Ministério da Educação, Pinto-Ferreira, admitiu ontem a necessidade de esclarecer publicamente as alterações introduzidas no método de classificação dos itens de resposta fechada "verdadeiro/falso", mas apelou "a pais, alunos e professores que confiem no trabalho" daquele gabinete.
"O nosso compromisso é fazer os possíveis para elaborar provas de exame nacionais com um grau de dificuldade semelhante ao das provas do ano passado e queremos cumpri-lo", frisou Pinto-Ferreira.
Ontem, o Gave fez publicar na sua página na Internet (http://www.gave.min-edu.pt/np3/143.html) o esclarecimento que o seu director já prestara através do PÚBLICO sobre o facto de, nos exames de 2009, passar a ter pontuação zero quem classificar de forma incorrecta uma das afirmações verdadeiras ou falsas. Isto quando, no ano passado, quem fez precisamente o mesmo teve a pontuação completa (um valor em 20).
Em concreto, o Gave especifica que, "para não aumentar o grau de dificuldade" em relação aos anos anteriores, é reduzido de oito para quatro o número de afirmações para classificar e, simultaneamente, a pontuação total do item passa de 10 para cinco pontos.
Àqueles que defendem que a injustiça relativa se mantém, Pinto-Ferreira diz que "a dificuldade ou facilidade de uma prova depende de muitos factores".
No espaço de discussão do Portal do Conhecimento (http://www.exames.org), os estudantes mostram-se especialmente preocupados com as consequências da alteração nas notas do exame nacional de Biologia e Geologia. Específica para quem se candidata a Medicina, esta disciplina de dois anos pode ser iniciada no 10.º ou no 11.º anos, conforme a oferta das escolas e a opção dos alunos. Tal significa que os estudantes que este ano se candidatam pela primeira vez ao ensino superior podem ter feito o exame em 2008 ou fazê-lo apenas em 2009.
Após os esclarecimentos do Gave, no fórum do Portal do Conhecimento havia quem se dissesse "mais animado" e quem continuasse insatisfeito. "Onde está a justiça de uma pessoa que acerta quase tudo ter a mesma classificação de uma que não sabe nada?", insistia um estudante.

