Nas próximas duas semanas, no PÚBLICO

Diário de um professor e de uma aluna

14.06.2009 - 08:02

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António Marques, professor, e Catarina Amaro, aluna António Marques, professor, e Catarina Amaro, aluna (Pedro Cunha)
A partir de hoje e durante as próximas duas semanas, um professor e uma aluna do ensino secundário vão contar regularmente, no PÚBLICO, a sua experiência nesta temporada de exames nacionais, que arranca na terça-feira. António Marques, 43 anos, ensina há 22. Catarina Amaro tem 17 e espera no próximo ano estar num curso de História ou de Línguas.

António Marques, professor de Artes Visuais, Esc. Sec. de Santa Maria, Sintra

Por esta altura, reina na escola uma calmaria que contrasta de forma gritante com o bulício dos últimos dias de aulas. É nessa altura que porventura temos as conversas mais sérias e profundas. Já todos nos conhecemos bem. Falamos nas atitudes que cada um deles evidenciou. Falamos realisticamente sobre as expectativas de cada um para o futuro. E todos têm consciência de que o futuro não é uma coisa fácil.

No imediato desse futuro incerto encontram-se os exames nacionais. São precisas médias deste ou daquele valor para que sonhos não se desmoronem. Para alguns é apenas o encerrar da sua vida escolar e a expectativa de entrar no mercado de trabalho, mas a maioria quer ir mais além.

Tenho a sorte de gostar daquilo que faço, apesar de todas as vicissitudes que são inerentes à profissão de professor e que tanto foram expostas neste conturbado ano lectivo que agora finda.

Tenho também a suprema felicidade de poder exercer o docência de uma forma porventura mais livre e independente que muitos outros colegas, o que resulta da natureza intrínseca da área que lecciono - Artes Visuais - e da forma flexível como, sensatamente, a maioria dos programas curriculares desta área de estudos está estruturada.

Esta flexibilidade permite-me criar projectos pelos quais os alunos se interessem verdadeiramente e aos quais dediquem aquele empenho que só é possível quando encontram o prazer da descoberta.

Os exames nacionais, com o seu carácter de mensurabilidade fria e normalizada, poderão ser vistos com uma espécie de antítese do mundo da sensibilidade artística em que os alunos e eu próprio estamos envolvidos durante o ano lectivo.

No entanto a sua realização é, quanto a mim, absolutamente indispensável se quisermos conceber uma avaliação fiável não só dos alunos como do sistema de ensino em si mesmo.

Enquanto os alunos se preparam para o embate, nós, professores, cumprimos também o nosso ritual de preparação. Nele se inclui a incontornável reunião com todos os professores vigilantes, entre os quais me incluo, e onde são divulgados os procedimentos a efectuar; quem pode entrar nas salas durante os exames, como se distribuem os lugares, o que os examinandos podem trazer para a sala, quando podem sair, etc.

Mais um ciclo se vai iniciar...

Catarina Amaro, 12.º ano da Esc. Sec. Stuart Carvalhais, Massamá, Sintra

O dia do exame de Português aproxima-se... A matéria é tanta e alguma tão difícil que já começo a ficar com um nó no estômago. Pessoalmente, não gostaria que saíssem os Lusíadas (desculpa-me, Camões), não por não gostar do tema ou da história que conta, até porque se trata da História de Portugal, mas porque sendo português arcaico é um pouco complicado. Espero que não seja muito difícil. Mas este não é o pior, tenho mais receio com o exame de História A, que vou fazer dia 23 deste mês. Há partes na matéria que são bastante complicadas, em especial as que se referem à política e à economia, e me são difíceis de compreender, devido às muitas medidas que apresentam. O Estado Novo seria uma matéria bem mais interessante, porque, tratando-se do nosso país, há sempre outra percepção.

Em relação ao exame de Alemão (que escolhi no 11.º ano como disciplina específica, por ser mais interessante que Matemática), não sei o que esperar, pois, segundo a minha professora, há anos em que são mais difíceis e anos em que são mais fáceis. Seja o que for, o importante é preparar-me bem.

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Alemão - why not?!

Como Presidente da Associação Portuguesa de Estudos Germanísticos fiquei obviamente contente com as ...

Peter Hanenberg

19.06.2009 20:17