DIAP investiga Universidade de Coimbra acusada de impedir doutoramento de aluna

25.01.2012 - 19:06 Por Lusa
O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto revelou nesta quarta-feira que está a investigar a situação académica de uma aluna que acusa a Universidade de Coimbra (UC) de ter impedido o seu doutoramento.
“Confirma-se que deu entrada neste departamento uma denúncia relacionada com a referida matéria, tendo dado origem à instauração de um inquérito”, afirma o DIAP do Porto numa nota enviada à agência Lusa.
Os factos denunciados no inquérito “encontram-se ainda a ser investigados”, segundo a nota, emitida em resposta a um pedido de informações efectuado pela Lusa.
A aluna em causa, Maria Luísa Bacelar Sousa, residente no Porto, queixa-se de ter sido prejudicada pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) na prossecução do doutoramento em Turismo, Lazer e Cultura.
A doutoranda acusa ainda a instituição e os docentes responsáveis pelo curso de terem “recusado leccionar mais de metade das disciplinas” do primeiro ano.
Através da FLUC, a Universidade já tinha recebido “quase 2000 euros” para que Maria Luísa Sousa pudesse “frequentar o primeiro ano do doutoramento”, segundo a própria.
A denunciante acusa a Universidade de impedir a sua “inscrição no segundo ano do curso” e de recusar conceder-lhe o comprovativo de que frequentou o primeiro ano do doutoramento.
O director da Faculdade de Letras de Coimbra, Carlos André, disse esta tarde à Lusa que desconhece a investigação desencadeada pelo DIAP do Porto, revelando que teve há alguns meses uma reunião com Maria Luísa Sousa.
Nesse encontro, manifestou-lhe “abertura e disponibilidade” para ajudar “a encontrar soluções para os problemas”, adiantou o catedrático, frisando que a aluna não voltou a contactá-lo.
Em Setembro, através de um “comunicado à imprensa e à comunidade académica”, Carlos André refutou as “sucessivas acusações” públicas de Maria Luísa Sousa, considerando que elas “visam denegrir a imagem” da FLUC e dos seus professores.
“A Universidade fica com o meu dinheiro, impede-me de fazer o curso e limita-se a acusar-me de difamação por eu relatar objectivamente os acontecimentos e por reivindicar os meus direitos”, contestou um mês depois a doutoranda, num texto enviado ao reitor da UC, João Gabriel Silva, e aos órgãos de soberania.
Segundo o director da FLUC, “em todos os seminários em que a aluna estava inscrita foram leccionadas as aulas”.
Por outro lado, a inscrição no segundo ano “não foi vedada. Simplesmente, aconteceu um problema informático que afectou todos os estudantes”, que foram informados do sucedido.
Carlos André recorda que a doutoranda teve dois orientadores de doutoramento, dos quais desistiu sucessivamente por sua vontade.
“Com o seu absentismo, a aluna provocou, ela mesma, a situação de que se queixa (...), a existência de um número reduzido de sessões” de um dos seminários, acrescenta na nota.
Na altura, Carlos André anunciou que a FLUC iria accionar os “mecanismos de carácter disciplinar” em vigor da UC, não excluindo também a hipótese de accionar a aluna judicialmente “em defesa do seu bom nome e da dignidade profissional” dos docentes.

