Cursos profissionais vão contar no próximo ano lectivo com 126 mil vagas

14.07.2009 - 18:51 Por Romana Borja-Santos
Mais 38 mil vagas do que no ano passado, e quase mais 100 mil do que em 2004/2005. Os cursos profissionais vão contar no próximo ano lectivo com cerca de 126 mil vagas, o que representa “uma alteração estrutural no nosso sistema público de ensino”, que pretende “corrigir um erro histórico” e mostrar que estes “não são cursos de segunda”, defendeu hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, durante uma conferência sobre a oferta educativa nesta área, onde também foi apresentado o “Kit das Profissões”.
O discurso é feito no mesmo dia em que começam as inscrições no ensino secundário para todos os alunos que terminaram o ensino básico e que pretendem prosseguir os seus estudos. O Governo prevê atingir, já no próximo ano, o objectivo definido pela OCDE, de metade das vagas do 10.º ao 12.º anos serem dedicadas a uma vertente profissionalizante. Ao todo contabilizam-se 152 mil vagas em todos os tipos de dupla certificação existentes.
A maioria das vagas (quase 50 mil) são no Norte e na área das ciências informáticas. Segue-se o trabalho social, a electricidade e energia e áudio-visuais e produção dos media. A propósito dos alunos que se ficam pelo 9.º ano, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, também presente na conferência que se realizou na escola profissional ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação) afirmou que se “pretende que o mercado de trabalho não os atraia porque mais tarde necessariamente vão ter de regressar à escola”.
De acordo com o primeiro-ministro, estes números representam o “esforço da escola pública” em vencer “vários preconceitos” que estavam associados a esta formação e que não fazem qualquer sentido. Além disso, explicou, são cursos que “têm menores taxas de abandono e de insucesso escolar”. E acrescentou: “Melhoram a competitividade das nossas empresas e da nossa economia que precisa de jovens habilitados do ponto de vista académico e profissional”.
Depois, Sócrates salientou que é também em Setembro que chegam as bolsas da Acção Social Escolar ao ensino secundário, o deverá representar um investimento de 165 milhões de euros. “Destinam-se a apoiar as famílias com dificuldades mas com a condição de sucesso escolar. É assim que se estrutura a ambição de ter uma escola obrigatória de 12 anos, até aos 18 anos”, lembrou.
Sobre o “Kit das Profissões”, o vice-presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Paulo Feliciano, explicou que se trata de um manual (também disponível no site do programa Novas Oportunidades) disponibilizado a todos os docentes e alunos do 9.º ano, onde se agrupa a oferta profissional em seis áreas: Máquinas, Tecnologia, Artes, Pessoas e Gestão e Serviços. Dentro de cada uma são apresentados os diferentes cursos, é explicado onde se pode trabalhar e a formação exigida. Há ainda um testemunho de alguém que já trabalha já na área e um outro manual destinado aos docentes com actividades para ajudarem os estudantes a descobrirem a verdadeira vocação.

