Os colégios particulares estão a criar “pacotes anti-crise” para evitarem a “fuga” das crianças para escolas públicas e impedir que, por falta de inscrições, deixem de ter actividades extra-curriculares, como já acontece. “Este ano, acabámos por retirar o Inglês porque não havia inscrições que justificassem a vinda de um professor”, contou à Lusa Ilda Rosa, proprietária de um externato em Olival de Basto, Odivelas.
A frequentar a informática estão apenas três alunos, ao passo que na natação estão seis, quando já foram 18. “É muito difícil gerir esta situação”, lamentou a mesma responsável, desabafando: “Já só somos cinco a trabalhar, mas não sei até quando conseguiremos aguentar o barco. Felizmente, não temos dívidas à Segurança Social e às Finanças e as instalações são nossas”.
A somar a esta situação, há casos de pais que retiram os filhos do externato sem pagar e outros em que o colégio teve de reduzir a mensalidade para manter as crianças. Esta realidade também é vivida no externato “O Gatinho”, no Porto, contou André Almeida: “A crise sentiu-se essencialmente na retirada das crianças das actividades extra-curriculares. Para contornar as dificuldades, o colégio tentou “adaptar um bocadinho [as mensalidades]”.
Tendo já em vista o próximo ano lectivo, um colégio na Amadora criou “pacotes anti-crise”. Antigamente, a mensalidade, mais alimentação e uma actividade extra, custariam 501 euros. Agora custam 480 euros, disse Maria João Afonso, do Colégio Moinho de Sonho. Maria João contou o caso de dois casais que, em 2011, tinham dois filhos na escola e pagavam as mensalidades mais caras (cerca de 500 euros mensais). Este ano, nem conseguiam pagar a mensalidade base (325 euros).
O director-executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo afirmou que é preciso “garantir às famílias com maiores dificuldades o apoio para a permanência dos filhos no ensino privado, em defesa do seu percurso educativo, mas também para evitar um aumento substancial dos custos públicos”.
“Aumentar os custos do Orçamento do Estado e fechar escolas privadas quando as famílias estavam satisfeitas é uma equação em que toda a gente perde”, disse Rodrigo Queiroz e Melo, dizendo recear que, em 2012 e com o agravamento das dificuldades económicas das famílias, “haja uma transferência grande de alunos para o Estado.”


