Portugal é simultaneamente o país da Europa a 27 com menores qualificações e um dos que mais tem evoluído, afirmou hoje a presidente do Conselho Nacional de Educação, alertando que o país não pode “baixar o ritmo”.
Segundo Ana Maria Bettencourt, entre a população portuguesa dos 25 aos 65 anos, só cerca de 32 por cento atingiu pelo menos o nível secundário de formação, contra 73 por cento na União Europeia.
Porém, na faixa etária dos 20 aos 24 anos, a diferença coloca Portugal a 20 pontos percentuais da média europeia (59 por cento para 79 por cento).
No que diz respeito ao Ensino Superior, a diferença melhora para 10 por cento.
“Apesar de nos últimos anos termos tido uma evolução muito significativa, continuamos a ter uma dívida para com as gerações que não puderam frequentar a escola ou a abandonaram precocemente”, afirmou a presidente do CNE, que dentro de dias tenciona apresentar o estudo “Estado da Educação 2011”.
Ana Bettencourt sublinhou ainda que a frequência dos ensinos básico e secundário aumentou significativamente.
Nos últimos 10 anos, a população com 17 anos inscrita no secundário passou de 63,2 por cento para 80,4 por cento. Porém, apenas 55 por cento dos alunos e 45 por cento das alunas que frequentam o 12.º ano têm 17 anos, ou seja, a “idade certa”.
De acordo com os dados hoje apresentados, 12 por cento dos inscritos (10 por cento das mulheres e 14 por cento dos homens) apresenta um desvio etário de três anos ou mais.
Este é, para o CNE, um dos principais problemas da escolaridade em Portugal, que “condiciona o acesso”, em condições favoráveis, a formações profissionais de qualidade ou ao Ensino Superior.
Ana Maria Bettencourt destacou que alunos com “muito atraso” só raramente farão um percurso favorável no Ensino Superior.
O CNE continua a advertir para a importância de não se deixarem acumular dificuldades nos primeiros anos de escolaridade e recomenda mais trabalho e esforço também para os alunos, durante o tempo em que estão na escola.
Nos próximos dias, o CNE apresentará o estudo “Estado da Educação 2011”, em que identifica alguns dos progressos alcançados com “um conjunto significativo de respostas” em matéria de formação profissional e educação de adultos.
Aqui recomenda uma avaliação das práticas seguidas, por forma a direccionar o investimento para aquelas que revelarem “melhores perspetivas de futuro”.
Ao nível do Ensino Superior, o CNE registou “um grande esforço de crescimento” das instituições, tanto públicas, como privadas, atingindo níveis de frequência comparáveis aos da média europeia.
O estudo desenvolvido pelo CNE revelou ainda uma “melhoria considerável da qualificação do corpo docente”, mas uma “situação preocupante” no que diz respeito à sua renovação.
O envelhecimento do corpo docente existe em todos os níveis de ensino, mas ainda mais acentuado no Ensino Superior, segundo o CNE, que defende “uma grande e continuada aposta” na qualificação dos portugueses.
Ana Maria Bettencourt apresentou estes dados durante a sessão de abertura de um seminário promovido pelo CNE sobre a reorganização da rede de Ensino Superior.


