CDS-PP e PCP questionam Governo sobre medidas para combater o desemprego

28.01.2009 - 19:13 Por Romana Borja-Santos
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, questionou hoje o Governo sobre o número de casais desempregados e confrontou o primeiro-ministro com as dificuldades das empresas em aceder às ajudas disponibilizadas, considerando que José Sócrates "anda iludido". O PCP mostrou-se também preocupado com as sucessivas falências anunciadas e falou da "situação concreta" das minas de Aljustrel e da empresa Qimonda.
"O primeiro-ministro anda iludido com a situação da economia real", afirmou Paulo Portas, depois de ouvir o primeiro-ministro defender que as medidas já criadas de combate à crise e de apoio aos desempregados são as adequadas. O líder democrata-cristão referiu que em Espanha sabe-se que 20 por cento dos desempregados são casais e defendeu que Portugal deveria fazer um esforço para conhecer a dimensão desse problema no país. Paulo Portas reclamou ainda medidas para alargar atribuição do subsídio de desemprego aos jovens, uma das faixas etárias mais afectadas pela falta de emprego e pela crise económica.
Na resposta, o primeiro-ministro, José Sócrates, defendeu que as medidas já criadas de apoio aos desempregados são adequadas e disse que o Governo evita "as soluções generalistas" e prefere medidas específicas dirigidas aos grupos "que mais precisam". No debate quinzenal na Assembleia da República, José Sócrates disse concordar com Paulo Portas "que a questão do emprego é a prioridade das prioridades" mas passou ao ataque acusando o líder democrata-cristão de irresponsabilidade e oportunismo. "Concordo também que a Assembleia da República deve aprovar medidas responsáveis. Mas então, porque é que propôs que o Governo pagasse metade dos juros dos créditos à habitação pagos pelas famílias. Esta medida custaria três mil milhões de euros. E ia ajudar os mais ricos (...) Tanto oportunismo, tanta irresponsabilidade", acusou Sócrates.
Já o PCP questionou hoje o primeiro-ministro sobre a "situação concreta" das minas de Aljustrel e da Qimonda, num debate que Jerónimo de Sousa considerou ter "o passo trocado com a realidade". No debate parlamentar quinzenal com o primeiro-ministro, o líder comunista iniciou a intervenção confessando uma "sensação contraditória" ao observar a Assembleia da República empenhada em "discutir generalidades", quando o país se confronta com uma grave crise.
Por isso, questionou o primeiro-ministro sobre as medidas que estão a ser tomadas pelo governo para garantir a reabertura das minas de Aljustrel e a continuação da Qimonda e acusou José Sócrates de "precipitação", ao garantir, num anterior debate, que a empresa de semi-condutores iria continuar em Portugal.
Qimonda
O primeiro-ministro refutou, afirmando que "está hoje em condições de afirmar", como em ocasiões anteriores que o "governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir" a viabilidade da empresa. No entanto, realçou que se trata de uma multinacional alemã, que "não depende apenas do apoio do governo português, mas principalmente, dos governos federal e estadual alemães".
Quanto às minas de Aljustrel, cuja gestão passou recentemente para uma empresa participada pela Martifer, mas que continuam encerradas, José Sócrates, respondeu que "agora, depois da intervenção do governo, a perspectiva é de que abram, quando há uns meses atrás, era de que fechassem". "Só falta dizerem que a culpa de tudo o que acontece é do Governo", disse o primeiro-ministro, lembrando as 12 medidas para garantir o emprego, anunciadas pelo governo.
Por seu lado o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, acusou hoje o PSD de "populismo barato" e criticou a postura da líder social-democrata de defender agora medidas que recusava há um ano. O líder da bancada socialista acabou por dedicar grande parte da sua intervenção a atacar o PSD, considerando que a líder do partido, "não atreita a respeitar a verdade".
TGV
"Como é possível esquecerem que a líder do PSD assinou compromissos sobre o TGV", questionou Alberto Martins, lembrando, igualmente, que há um ano Manuela Ferreira Leite dizia não ser honesto baixar impostos e agora defende essa medida. "A isso chama-se populismo barato", acusou Alberto Martins, considerando que o PSD está a adoptar "a cartilha clássica do neo-liberalismo" defendendo a baixa de impostos e a privatização de todas as actividades.

