CDS, Bloco e PCP unidos contra PSD na avaliação dos professores 
20.11.2009 - 10:34 Por Sofia Rodrigues
Nem PS nem PSD revelaram ontem abertamente o sentido de voto sobre os projectos relativos à carreira e ao modelo de avaliação dos professores, mas o aparente entendimento entre os dois partidos transformou-se numa nuvem carregada que pairou durante todo o debate. A tempestade abateu-se sobre a bancada do PSD e poupou a do PS. A possível aprovação pelos socialistas do projecto do PSD criou incómodo na bancada "laranja" e não agrada nem ao principal sindicato de professores.
Se, na passada legislatura, o dossier da avaliação dos professores fazia a oposição em coro apontar baterias ao PS, ontem a pressão incidiu sobre o PSD, deixando sorrisos na bancada socialista. O ataque mais violento a esta sintonia veio do líder do BE, Francisco Louçã, que a apelidou de "segredo de polichinelo".
"Politicamente, é um alívio para o Governo. É uma espécie de chegada antecipada dos reis magos. Já estou a ver Jorge Lacão de mirra na mão, o deputado Pedro Duarte de incenso, para chegarem àquele menino protegido pelo bafo da vaquinha e do burro", disse Louçã, fazendo sorrir o ministro dos Assuntos Parlamentares.
PSD refém do calendário
Na mesma linha, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, assinalou uma troca invulgar de papéis. "Já sabíamos que PS e PSD trocam de posição quando chegam ao Governo ou ficam na oposição. O que nunca tínhamos visto é um partido que continua na oposição mudar de uma posição para outra apenas porque já não há maioria absoluta", criticou o deputado comunista, referindo-se aos sociais-democratas. Bernardino Soares argumentou que o Governo não pode garantir que as negociações terminem em 30 dias (como prevê o projecto do PSD) e que, neste sentido, a resolução "não tem utilidade".
Com a ideia de um entendimento entre os dois maiores partidos a pairar no hemiciclo, o líder do CDS-PP foi directo ao assunto e perguntou "se o acordo" do PSD com o PS "obriga" a bancada laranja a votar contra os restantes projectos. "Por que é que suspenderam a vossa opinião [...] para dar o voto ao PS de não suspender o seu modelo de avaliação?", questionou Portas.
O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, garantiu que "o acordo é com os pais, as escolas e os alunos". E, em resposta à esquerda, assegurou que "tem todos os mecanismos" e a "legitimidade de ter contribuído para uma solução", se no prazo de 30 dias o Governo não cumprir a resolução do PSD.
Assis estende a mão
Antes, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, fez uma avaliação crítica dos diferentes projectos de lei e de resolução. "CDS, BE e PCP acabaram por apostar numa coisa: o vazio", afirmou, referindo-se às propostas de suspensão do actual modelo. Quanto ao projecto do PSD - o único que trocou a palavra suspensão por substituição -, Lacão prometeu "ponderar e reflectir".
Sem abrir o jogo de votação para hoje durante o debate, o líder parlamentar do PS disse que a bancada viabilizaria iniciativas "construtivas" mas votaria contra os que apenas queriam "revogar". E acusou os partidos da oposição de "tentar aprovar uma moção de censura retroactiva à ministra da Educação". À agência Lusa, após o debate, Assis disse estar disposto a viabilizar o projecto do PSD e a votar contra os restantes projectos.
Esse é o receio da Fenprof: que apenas passe o projecto do PSD. É que o calendário das negociações proposto pelo Governo aos sindicatos termina a 30 de Dezembro. "Não sei se vamos chegar a acordo até lá", disse ontem ao PÚBLICO o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, Mário Nogueira, que assistiu ao debate parlamentar.
A posição do PSD na avaliação dos professores criou algum mal-estar na bancada. Porque, alegam alguns deputados ouvidos pelo PÚBLICO, terá sido mal explicado o recuo na suspensão do modelo, avançado num projecto inicial. Sinal desse mal-estar foi a intervenção do deputado José Luís Arnaut na reunião do grupo parlamentar "laranja".
O ex-ministro de Durão Barroso questionou se o partido tinha já algum acordo com o PS para este dossier. O líder da bancada, José Pedro Aguiar-Branco, garantiu que não, afirmando que o PSD assumiu, neste assunto, um "exercício de responsabilidade".
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