A deputado do Bloco de Esquerda Ana Drago afirmou hoje que “os professores continuam muito zangados” no regresso às aulas porque querem discutir a forma como estão a trabalhar, enquanto o governo se preocupa com a afirmação política.
“Os professores continuam muito zangados. O processo de avaliação transformou-se numa farsa e mantém-se na escola, sem se perceber a quem vai ser aplicado. Os professores querem discutir a forma como estão a trabalhar, enquanto o governo se preocupa com a sua afirmação política”, comentou Ana Drago aos jornalistas.
Ana Drago participou hoje numa visita à Escola Secundária da Feira, no âmbito das jornadas parlamentares do Bloco de Esquerda, que dedicam o primeiro dia à Educação.
A deputada enfatizou que “é preciso discutir as condições de trabalho dos professores, que se encontram assoberbados com requisições burocráticas e sem tempo para trabalhar com os seus alunos”.
Da falta de tempo e de condições ouviram os deputados bloquistas falar na Secundária da Feira, um estabelecimento sobrelotado com 1500 alunos e 162 professores, cujas instalações, construídas há 20 anos, ainda com coberturas de amianto, aguardam por obras.
Presidente assoberbada
“Não tenho tempo para pensar a escola. Apenas para tentar responder ao que é pedido para ontem”, lamentou a presidente do conselho executivo, Lucinda Ferreira.
O lamento ganha especiais contornos com o próprio excesso de alunos, que obriga a pensar e inventar soluções, enquanto uma nova escola secundária não se constrói para descongestionar aquela.
Deverá começar a ser construída em 2009 e já esteve várias vezes no plano de investimento da administração central (PIDDAC), o que levou o deputado Luís Fazenda a comentar: “É fazer como o S. Tomé, ver para crer.”
Lucinda Ferreira mostra aos deputados os gabinetes transformados em salas de aula, o palco transformado em bar para que o espaço que lhe era destinado servisse de biblioteca, esta transformada em sala de professores, já que a que existia deu mais uma sala de aulas e as salas de apoio que à quarta-feira de manhã recebem aulas.
Instalações degradadas
Para servir as 31 freguesias do populoso concelho da Feira apenas existe mais uma escola secundária, em Fiães, e não há transportes satisfatórios.
Para Luís Fazenda, é notório que houve uma desatenção às necessidades de oferta educativa no concelho. Ana Drago generaliza e diz que o Governo não resolve sequer o problema das infra-estruturas no ensino secundário, que ainda estão a seu cargo, o que se reflecte em escolas sobrelotadas e turmas cheias, já que “chutou” as do ensino básico para as câmaras.
Para 2009 está prometida a realização de obras na Secundária da Feira, que há vinte anos não tem manutenção e onde há varandins a cair sem segurança, zonas onde entra a chuva, e muito frio a passar pelas janelas, o que leva a que uma grande parte do orçamento vá para o consumo energético.


