O bastonário da Ordem dos Médicos considerou hoje positivo que o novo curso de Medicina no Algarve se destine a licenciados do sector, mas alertou para o risco de se poderem estar a formar médicos a mais.
O Governo aprovou a criação de um novo curso de Medicina na Universidade do Algarve que deverá arrancar já no ano lectivo de 2009/2010, com cerca de 30 vagas.
Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, considerou "positivo" o facto de o "curso ser apontado como de recuperação para a Medicina de pessoas que fizeram outros cursos, nomeadamente de farmácia, medicina dentária e veterinária".
Pedro Nunes disse recear a dispersão das faculdades de Medicina, "porque tal não está de acordo com as normas internacionais". "Tecnicamente é preferível concentrar em pólos as universidades", referiu o bastonário, salientando a necessidade dos futuros médicos terem vivência universitária.
"Para os médicos é fundamental que durante a sua fase de ensino saiam das suas terrinhas e abram os seus olhos. O ideal era que os portugueses fizessem parte dos seus cursos em Paris ou em Londres, em vez de irmos aproximando as faculdades" das localidades de origem, referiu Pedro Nunes, relativamente à abertura deste novo curso no Algarve.
O bastonário alertou para o risco de se estarem a criar demasiadas vagas, em termos globais. Pedro Nunes frisou que o número de vagas abertas este ano (1500), e nos anos anteriores, é suficiente para que dentro de sete a dez anos o problema da falta de médicos em Portugal fique resolvido.
Não se referindo apenas às vagas que serão abertas no curso de Medicina no Algarve, o Bastonário defendeu uma gestão do número de vagas a nível nacional para que não se estejam a formar pessoas para o desemprego.
O novo curso de Medicina da Universidade do Algarve, que será hoje apresentado, será o primeiro a destinar-se exclusivamente a alunos "já licenciados numa das ciências relacionadas com a saúde".


