Ana Maria Bettencourt admite que o ensino superior não tem preparado os professores para responder aos desafios que os alunos com dificuldades colocam. É preciso mais investimento em formação contínua, recomenda.
Os professores estão motivados para trabalhar de uma maneira diferente?
Os professores estão muito interessados em fazer o melhor. A formação contínua é muito importante para motivar as pessoas, a escola tem que ser um pólo de pensamento, de reflexão das aprendizagens, dos resultados, dos projectos e acredito que há grande motivação.
Concorda com as as críticas que têm sido feitas à formação inicial?
As escolas superiores não prepararam os professores para o mundo complexo que é a educação. Não posso generalizar, mas todos os professores que encontro no terreno não preparam bem os futuros professores para responder à diversidade e a diferenciação entre os alunos. Há um problema com a formação inicial e também com a contínua. Neste momento em que não precisamos tanto de formar novos professores, a formação contínua tem que ser a grande aposta. Os recursos da formação inicial devem ser canalizados para a contínua.
São exigidas mais competências à escola que não apenas a de ensinar?
As questões que vão bater à porta da escola são cada vez mais e são terríveis. É preciso mais parcerias com autarquias, associações, comissões de protecção de jovens e com os pais.
Os professores queixam-se por acumular muitas competências como ser psicólogo, assistente social, terapeuta...
Mas, os professores têm que ser um bocadinho disso tudo. Há três componentes na missão do professor. Uma é mudar o paradigma do trabalho dentro da sala de aula: mais trabalho e mais acompanhamento aos alunos. A segunda é que o professor tem que ter função de tutoria, de enquadramento e apoio ao aluno; ajudar um aluno com crise pessoal ou que não consegue aprender. A terceira componente é o trabalho em equipa.
A que os professores não estão muito habituados?
O trabalho de equipa é muito importante, um aluno com dificuldades precisa de todos os professores. Há um problema de lideranças pedagógicas e pouca eficácia nas reuniões. As escolas têm que ser avaliadas se resolverem os problemas e se não o fazem têm que explicar porquê.
E a avaliação dos professores?
A avaliação dos professores tem que ser avaliada. O CNE, relativamente a esta questão, tem outro tempo. Muito atento a dados mais palpáveis, mais sistemáticos.


