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Doutorandos mais do que duplicaram em seis anos

Aposta em mais diplomados vai continuar

13.02.2011 - 16:10 Por Andreia Sanches

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Terá o sistema de ensino crescido demais? Ou de forma desadequada? O percurso de Portugal tem sido várias vezes destacado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). É dos países que, nas últimas décadas, mais viu crescer o contingente de alunos nos bancos das universidades (no ano passado havia mais de 380 mil em diferentes tipos de formação superior - mais 22 por cento do que 14 anos antes). E agora isso está a acontecer também nos graus mais avançados. Só entre 2004 e 2010 o número de estudantes de doutoramento subiu 134 por cento - para 16 mil.

Nos mestrados havia então 45 mil alunos - quase o triplo de 2004. Se este último número se explica, em grande medida, com as mudanças na estrutura dos cursos (hoje, na sequência do processo de Bolonha, a maior parte dos alunos faz o mestrado logo depois da licenciatura), já no que diz respeito aos doutoramentos podemos estar perante um fenómeno diferente. "Criou-se uma cadeia de progressão e as pessoas que acabam o mestrado e não têm emprego optam por continuar a estudar, desde que haja bolsa. É um adiamento da entrada no mercado de trabalho", diz Alberto Amaral, presidente Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. E isso é mau? "Haverá um período de desfasamento, o mercado não vai absorver já. Mas se o país não tiver essas pessoas disponíveis nunca mais vai dar o salto em frente."

O reitor da Universidade de Lisboa e historiador da Educação, António Nóvoa, lembra que "até há pouco tempo o doutoramento era um grau que só se fazia quando se queria ir para professor universitário, o que não fazia sentido". Admite, no entanto, uma perversidade: tem sido mais fácil aos governos "ter uma política de bolsas de doutoramento, de contratos precários ao nível da investigação do que reforçar as instituições e dar-lhes condições de recrutamento para terem um corpo docente e de investigação estável".

Aquém da OCDE
Apesar de há alguns meses as ordens dos médicos e dos advogados terem alertado para o excesso de oferta no sector, há quem garanta que este não tem crescido em excesso. A começar pelo Governo que acordou com as universidades "um aumento de cerca de 60 mil diplomados" até 2014. "As instituições deverão multiplicar a formação pós-graduada, as possibilidades de ensino à distância, os ciclos de estudo organizados em regime pós-laboral...", diz António Rendas, presidente do conselho de reitores.

É certo que nos últimos 30 anos foi preciso dar resposta à massificação do ensino, que houve falhas na avaliação da qualidade e que, segundo Alberto Amaral, "as instituições de ensino não tiveram estratégia - todas faziam a mesma coisa: se era gestão que atraía alunos, todas tinham gestão...". Ainda hoje, diz, "há mais de 500 cursos de formação de professores e para o próximo ano as instituições querem abrir mais 70". O que não se justifica.

Também é verdade que há erros que persistem: "Constitucionalmente não é possível fechar um curso de uma entidade privada, que tenha qualidade, mas baixa empregabilidade." Não é aqui, contudo, que está a raiz do problema, acredita José Reis, economista, ex-secretário de Estado do Ensino Superior. "Houve alguns desequilíbrios - e quando fui secretário de Estado recusei mais de 500 cursos - mas se o problema fosse apenas de desadequação de formações, a coisa fazia-se. Tivéssemos nós um mercado de trabalho ansioso por diplomados e teríamos licenciados em História a requalificarem-se para funções diversas", usando a capacidade cultural e de organização adquirida no ensino superior.

"Fizemos um investimento fortíssimo na educação, que é preciso continuar a ser feito porque temos ainda níveis de qualificação muito abaixo da Europa", diz Nóvoa. O último relatório da OCDE sobre o sector (Education at a Glance 2010) confirma o desfasamento, mesmo quando se fala das camadas mais jovens: 23 por cento dos portugueses entre os 25 e os 34 anos têm formação superior, quando a média da OCDE é 35 por cento.

O medo de Nóvoa é que o país, com o discurso da "geração que até para ser escrava" precisa estudar, recue. "Os outros, como a Alemanha, continuam a fazer fortes investimentos, o meu grande receio é que este discurso recupere o pior da matriz portuguesa do século XX: pobrezinhos, com pouca escola, o discurso salazarista do "não queiras subir acima da tua chinela, fica-te lá contentinho com a 4.ª classe". Era o pior que nos poderia acontecer."

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privadas

já não chegavam as universidades de segunda categoria...as universidades privadas que ...

Luis Aguiar

23.02.2011 11:29