Apenas 400 estudantes protestaram em frente ao Ministério da Educação

04.02.2010 - 13:11 Por Romana Borja-Santos
Os estudantes asseguraram que “a luta está a crescer”. E para mostrarem o desagrado para com as políticas do Governo, os alunos do ensino básico e secundário marcaram para as 10h00 de hoje uma manifestação em frente ao Ministério da Educação. Contudo, apenas compareceram cerca de 400 jovens, que chegaram com mais de uma hora de atraso e muitos começaram a desmobilizar meia hora depois.
A ideia do dia de luta era que os estudantes deixassem por um dia as salas de aula e ficassem aos portões das escolas. Aos alunos de Lisboa e Porto foi também pedido que se juntassem a duas manifestações: no Ministério da Educação e na Avenida dos Aliados, respectivamente. “Não te baldes”, dizia um dos panfletos distribuídos nas diferentes escolas do país.
Mas os alunos não corresponderam ao apelo da Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico e, segundo a polícia, foram apenas 400 os jovens de cerca de dez escolas diferentes que se manifestaram à porta do Ministério da Educação, em Lisboa. Apesar do pequeno número, empunharam cartazes e gritaram bem alto palavras de ordem e frases de protesto. “Não queremos mais do mesmo”, “alunos unidos querem ser correspondidos”, “não queremos directores e empresas nas escolas” e “acordem para a realidade, não nos dizem a verdade”.
André Martelo, 18 anos, da delegação que convocou o protesto e aluno da Escola Secundária Passos Manuel, admite que a adesão foi “fraca” mas acredita que é por “medo e repressão” que muitos estudantes não compareceram. Isto porque, insistiu, muitas direcções das escolas impediram os alunos de saírem das escolas e o próprio Estatuto do Aluno – um dos motivos do protesto – tem um regime de faltas “injusto” que “impede” os alunos de reivindicarem os seus direitos. Sobre o facto de muitos alunos que vieram ao protesto não saberem explicar o que os move, André defendeu que “é por ainda serem novos”.
Além de um novo estatuto, os alunos querem que a educação sexual seja implantada já e pedem o fim dos exames nacionais, das aulas de substituição e das provas de recuperação. Acusam ainda o Governo de estar a “privatizar” as escolas que remodelou, ao entregar serviços como os bares e os refeitórios a privados.
Ruben Silva, 19 anos, aluno e presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Eça de Queirós, foi um dos estudantes que esteve presente do protesto de Lisboa. Em declarações ao PÚBLICO, explicou que na sua escola o principal problema é a “impedirem a realização de reuniões gerais de alunos”. E acrescentou: “Só temos a tarde de quarta-feira livre e a escola só nos deixa marcar a reunião para essa altura e nós já temos um horário pesado para abdicarmos da nossa tarde livre”.
Ana Costa tem 15 anos e frequenta o 10º ano da Escola Secundária de Camões. “Vim aqui para reivindicar os meus direitos”. Quais? “Isso já é mais difícil de explicar. Só sei que o Governo está a fazer tudo mal”, limitou-se a responder.
200 alunos no Porto
No Porto, a manifestação começou mais cedo, cerca das 9h30. Mais de 200 alunos manifestaram-se na baixa da cidade onde denunciaram os “ataques à liberdade individual” de que dizem estar a ser alvo.
Nicole Santos, 17 anos, uma das porta-vozes do protesto no Porto, denunciou à Agência Lusa uma alegada tentativa do Ministério da Educação de boicotar o protesto de hoje. “Soubemos que, através da DREN, ordenaram aos professores e auxiliares para irem uma hora mais cedo para as escolas para tentar impedir o trabalho dos piquetes”, disse.

