Ano ainda será lectivo ou já será letivo?

17.12.2011 - 15:55 Por Alexandra Prado Coelho

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Nos exames externos deste ano o não cumprimento do AO não será ainda penalizado Nos exames externos deste ano o não cumprimento do AO não será ainda penalizado (Miguel Madeira)
Nem grande entusiasmo, nem grande rejeição. É este o balanço possível no final do 1.º período do ano lectivo em que se introduziu nas escolas portuguesas o Acordo Ortográfico (AO). Ainda há dúvidas sobre certas regras, mas ninguém se queixa de falta de material de apoio.

Alguns professores continuam a não concordar com a nova grafia – mas, afinal, quem é que quer ser acusado de estar a prejudicar os alunos que, mais cedo ou mais tarde, serão penalizados se escreverem com a “grafia antiga”?

Quando foi anunciado que nos exames externos deste ano o não cumprimento do AO não seria ainda penalizado, os docentes (e provavelmente também os alunos) respiraram de alívio, por sentirem que tinham ganho algum tempo, conta Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português (APP). “Neste momento, parece-me que cada escola faz o que quer. Uns professores dizem que penalizam os erros, outros só começam a fazê-lo quando isso for feito nas provas de avaliação externa [em 2013/14 para o básico e em 2014/15 para o secundário]”.

Na opinião de Edviges Ferreira, que tem feito várias acções de formação sobre o AO, “devia ter havido uma determinação muito específica dizendo que, como o acordo entrou em vigor este ano lectivo, todos os professores o deviam aplicar e deviam começar a avaliar os alunos pelas novas regras. Isso seria fundamental, caso contrário as pessoas deixam tudo para o fim.”

Resistências? Há sempre algumas, mas Ana Soares, coordenadora do departamento de Português do Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa, diz que “os que se retraem mais são os alunos mais velhos, porque os mais pequenos reagem muito bem”. E confirma que, quando os estudantes percebem que o cumprimento do AO não vai ser relevante nos exames finais, ficam mais despreocupados – “não querem distrair-se do que é essencial por causa de uma coisa que não vai ser avaliada”.

E dentro de casa? Fizemos uma ronda rápida por três famílias com filhos em idade escolar para saber se já estão a usar o acordo. E, embora não se possa obviamente tirar daqui qualquer conclusão definitiva, ficámos a saber que na primeira família, com dois professores universitários e quatro filhos todos em idade escolar, nenhum começou ainda a usar. Noutra, o pai e o filho de 14 anos não usam, a mãe (também docente universitária) e o filho de nove anos já usam. E na terceira, também um casal com dois filhos de 14 e dez anos, não há ainda nenhum a aplicar o acordo.

“A” grande ou pequeno

Vejamos então o que se passa no 1.º ciclo. O Francisco tem nove anos e está no 4.º ano de uma escola pública de Lisboa. Já estão a escrever segundo o acordo ortográfico?

Diz que sim, e descreve uma sessão em que lhes foi apresentado um powerpoint com várias imagens mostrando as alterações que o acordo introduz. Se ele sabe algum exemplo? Sabe um dos que lê todos os dias nos cartazes que a professora colou nas paredes da sala: “Em Avenida Marechal Gomes da Costa, o ‘a’ de Avenida pode ser grande ou pequeno, e o de marechal tem de ser pequeno”, explica.

A professora decidiu entretanto tirar os cartazes da sala por achar que era demasiada informação para ser dada de uma vez só, mas começou já a marcar erro quando aparece com “p” ou “c” uma palavra que já os perdeu no novo acordo – “acção/ação”, por exemplo. Essa é uma regra que já parece integrada. As outras virão depois.

Os professores com quem o PÚBLICO falou estão convencidos de que a aplicação do AO é já irreversível e que, apesar de algumas dificuldades, as coisas nem estão a correr mal. É o que nos diz, por exemplo, Manuel Pereira, da Associação Nacional de Directores Escolares, e professor no agrupamento de escolas de Cinfães. “Toda a gente está ainda a tentar adaptar-se, mas a maior parte dos nossos alunos não tem problemas com o acordo. É um processo que demora tempo e que não é nada fácil. Mas não vamos começar a penalizar os alunos quando nós próprios ainda estamos em fase de adaptação.”

Ana Soares lembra que está em causa uma obrigação dos docentes: “Podemos ter questões pessoais [em relação ao acordo] mas estamos revestidos de uma obrigação perante a sociedade.”

Fase de transição

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O contágio da desordem

Isto tem contornos deveras caricatos. Desde gente que se auto-exclui da aplicação do AO por razões ...

Arons Vale E Cunha

18.12.2011 14:03