Alunos lusófonos das escolas britânicas precisam de mais 10 anos para alcançar colegas

22.06.2010 - 09:59 Por Lusa
Língua inglesa é o principal desafio para jovens que estudam no Reino Unido
Os alunos lusófonos no Reino Unido precisam de mais dez anos para conseguirem atingir a média escolar dos seus colegas britânicos, prevê Luísa Ribeiro, professora consultiva no concelho de Lambeth, em Londres.
Após quatro anos a trabalhar na melhoria do desempenho escolar dos alunos de expressão portuguesa, Luísa Ribeiro reconhece que serão necessários mais dez anos de “estratégias dirigidas aos alunos de expressão portuguesa que tenham impacto contínuo na aprendizagem”.
As estatísticas recolhidas por Lambeth e apresentadas segunda-feira na conferência “O Céu é o Limite”, mostraram que os resultados dos alunos de expressão portuguesa, que no passado eram os piores das minorias étnicas, foram os que registaram maior progresso nos últimos anos nos diferentes níveis de ensino.
Entre 2003 e 2009, o desempenho dos alunos portugueses com idades entre os cinco e sete anos melhorou 14 por cento, enquanto a taxa de sucesso daqueles com idades entre os sete e onze anos melhorou 17 por cento.
Todavia, as maiores subidas foram as dos jovens mais velhos, com idades entre os 11 e 14 anos, cujo desempenho melhorou no mesmo período 29 por cento, e aqueles com 14 e 16 anos, cujas notas nos exames nacionais melhoraram 44 por cento.
A falta do domínio da língua inglesa é a principal causa de dificuldades na aprendizagem, justifica Phyllis Dunipace, directora executiva do departamento de crianças e jovens da Câmara de Lambeth.
“Notamos que quanto mais tempo [os alunos] ficam nas nossas escolas melhor, mas ainda não chegaram lá, ainda temos um caminho a percorrer”, afirmou à Lusa.
Lambeth é município londrino onde se concentra a comunidade lusófona de Londres, estimada em cerca de 50 mil pessoas, perto de um quinto da população total naquela autarquia.
O número de alunos cuja língua materna é a portuguesa mais do que quintuplicou em menos de duas décadas, de 377 em 1992, para 2203 em 2009, só naquela zona da capital britânica, onde 14 escolas têm mais de 50 alunos lusófonos.
Phyllis Dunipace atribui à aproximação das escolas aos pais uma parte do sucesso no desempenho dos alunos e justifica a aposta na educação da comunidade lusófona.
“Queremos que todas as crianças tenham as melhores oportunidades possíveis na vida, por isso temos de focalizar nas crianças que não estão a ter tão bons resultados como deviam porque isso vai fazer delas cidadãos bons, felizes saudáveis quando crescerem”, vincou.
À frente dos esforços do município está Luísa Ribeiro, que foi contratada pela autarquia em 2006 como professora consultiva para o sucesso dos alunos portugueses em Lambeth, e que ajudou a identificar problemas e a apoiar as escolas, algumas das quais contrataram também funcionários e professores lusófonos.
Nestes quatro anos, Luísa Ribeiro ajudou a criar prémios anuais por mérito escolar e a promover programas intercâmbio com escolas portuguesas e brasileiras, iniciativas culturais e colaborações com organizações não lucrativas e empresas.
Mas lamenta que este tipo de empenho não esteja a ser feito em outras partes do Reino Unido, onde se estima residirem mais de 300 mil portugueses.
“Sei que precisam de apoio”, adiantou, “porque tenho muitos telefonemas de outras localidades em Londres e fora a pedirem apoio para usarem o mesmo tipo de projetos com os alunos de expressão portuguesa”.

