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Ensino

Alunos enfrentam os exames num dos anos mais agitados nas escolas do país

14.06.2009 - 08:28 Por Andreia Sanches

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Dentro de poucos dias arranca a época de exames nacionais Dentro de poucos dias arranca a época de exames nacionais (Rui Gaudêncio)
Foi um ano lectivo de muitas mudanças mas também de muitos protestos na educação: marchas várias, entre as quais a "maior manifestação" de professores, greves, abaixo-assinados. Foi também um ano em que os docentes se sentiram "mais cansados, mais desanimados, menos motivados em diversos aspectos" - palavras de Paulo Guinote, professor do ensino básico, autor do blogue A Educação do meu Umbigo.

E os alunos? A poucos dias de arrancar a época de exames nacionais e de mais de 250 mil estudantes serem chamados a mostrar o que sabem, há quem questione: vai ter esta guerra algum impacto nos resultados finais? As aprendizagens foram prejudicadas? O Ministério da Educação (ME) diz que não. Há quem garanta que sim.

Hora de balanço na recta final do calendário escolar: "Os professores fizeram tudo para que o conflito com o ME se reflectisse o menos possível no ensino, mas é inevitável: a motivação baixou. Por isso, algum impacto vai ter", diz João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores.

António Arnault, um aluno de 18 anos que se prepara para já na terça-feira arregaçar as mangas e fazer o exame de Português, vai mais longe: "Em muitas escolas as matérias foram dadas às três pancadas."

Arnault é presidente da associação de estudantes da Secundária Quinta das Flores, em Coimbra, e coordenador do ensino secundário da Juventude Socialista. Explica que nos últimos meses contactou alunos de escolas do concelho, que percebeu que os docentes têm hoje "mais trabalho", fruto de uma série de reformas profundas introduzidas pelo Governo, mas que a certa altura o ME atendeu a algumas reivindicações dos professores e estes não cederam - "a contestação foi longe demais". No fim, houve estudantes prejudicados, outros recorreram às explicações para garantir que as notas dos exames não baixam.

"Uma geração mais pobre?"

Já António Teodoro, especialista em Ciências da Educação, presidente da direcção do Fórum Educação, entende que não há relação entre contestação docente e resultados dos alunos.

Preocupa-o mais o facto de o controverso Estatuto da Carreira Docente e o novo modelo de avaliação (as medidas do Governo mais contestadas) terem levado muitos professores a pedir a reforma antecipada - "entre eles, alguns dos melhores elementos". Admite também que tenha existido menor envolvimento dos docentes em certas actividades extra-curriculares. "As pessoas pensam: 'Se estão em guerra aberta comigo, se me hostilizam tanto, faço estritamente o que me mandam.'"

Por tudo isto não tem dúvidas: "Houve um empobrecimento da vida nas escolas." E independentemente do que acontecer com as médias dos exames nos próximos tempos, teremos "uma geração de alunos mais pobre". Alerta: "Esta ideia de que o único conhecimento válido é o contável é extremamente redutora."

Outros garantem, contudo, que este ano de contestação não se notará nos resultados. É o caso de Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais: os programas foram cumpridos, a matéria foi dada, é essa a sua convicção.

Os sindicatos que representam a classe sublinham igualmente o elevado grau de profissionalismo dos professores e garantem que estes fizeram questão de não deixar que a luta interferisse no seu trabalho. O ME defende, através do seu gabinete de comunicação, exactamente o mesmo: "Está, de facto, mais do que demonstrado que os professores distinguem bem os espaços profissionais dos de luta sindical."

De resto, as grandes acções de protesto - como as manifestações de rua - foram sempre agendadas para os fins-de-semana, lembra João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (Fne). E é preciso não esquecer, continua, que as cedências do ME, conquistadas pelos professores, beneficiaram quer docentes quer discentes, diz.

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