Alunos do Porto manifestam-se hoje contra exames e aulas de substituição

22.11.2006 - 08:27 Por Lusa
Os alunos do ensino secundário dos concelhos do Porto, Gondomar, Vila do Conde e Póvoa de Varzim vão manifestar-se esta manhã na Avenida dos Aliados, no Porto, contra os exames nacionais e as aulas de substituição.
Para além do protesto dos estudantes do distrito do Porto, a jornada de luta deverá estender-se também a Lisboa, com uma marcha até à Avenida 5 de Outubro, onde fica a sede do Ministério da Educação.
Luís Ribeiro, da Plataforma de Associações de Estudantes do Distrito do Porto, disse à Lusa que a manifestação — marcada na sequência do protesto estudantil de quinta-feira passada — será acompanhada por uma greve às aulas.
"Vão participar na manifestação as escolas dos concelhos da Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Gondomar e Porto, entre as quais as secundárias do Cerco, Carolina Michäelis, Rodrigues de Freitas, Aurélia de Sousa, Filipa de Vilhena e Soares dos Reis", disse Luís Ribeiro.
O dirigente estudantil explicou que, depois dos protestos espontâneos de quinta-feira passada, alguns alunos de vários pontos do país terão tentado agendar para hoje um dia nacional de luta, mas só os do distrito do Porto terão conseguido organizar uma manifestação e a greve às aulas.
"Não faz sentido que os alunos fiquem presos em aulas de substituição dadas por professores de outras disciplinas", afirmou Luís Ribeiro, defendendo também uma avaliação contínua que não inclua quaisquer provas nacionais.
Além do fim dos exames nacionais e das aulas de substituição, os promotores da manifestação exigem a redução para 20 do número máximo de alunos por turma; a redução dos programas escolares; o fim da privatização de bares e papelarias das escolas; o fim do limite de vagas de acesso ao ensino superior; a melhoria de condições materiais e humanas das escolas; e a implementação da educação sexual.
Estas exigências vão constar de um caderno reivindicativo que os manifestantes pretendem entregar na Direcção Regional de Educação do Norte depois da manifestação na Avenida dos Aliados, marcada para as 09h30.
"Numa altura em que Portugal se afirma pela negativa, como um país onde mais crescem as doenças sexualmente transmissíveis, é inadmissível que não haja uma disciplina de Educação Sexual", disse Luís Ribeiro.
A introdução da Educação Sexual nas escolas está prevista desde 1984, mas só é abordada de forma transversal em várias disciplinas do terceiro ciclo do ensino básico (7º, 8º e 9º anos de escolaridade), e não como cadeira autónoma.
A jornada de luta dos estudantes deverá estender-se a Lisboa, onde estão previstos protestos na Escola Secundária Eça de Queirós, nos Olivais, na Passos Manuel e na Secundária de São João da Talha.
Sara Brito, da Comissão de Luta da Secundária Eça de Queirós, adiantou que o novo protesto foi convocado por telemóvel, e-mail e panfletos nas escolas, já que a adesão à greve de quinta-feira passada "não foi a esperada".
Segundo Sara Brito, as concentrações estão marcadas para as 08h30, junto aos portões dos estabelecimentos de ensino, seguindo os alunos de Lisboa para o Ministério da Educação, na Avenida 5 de Outubro.

