86 por cento dos candidatos conseguem um lugar no ensino superior

18.09.2005 - 08:04 Por Isabel Leiria, PÚBLICO
Do total dos 38.976 candidatos ao ensino superior, 86 por cento (33.520) foram já colocados na 1ª fase do concurso nacional de acesso. Seis em cada dez conseguiram ficar no curso da sua primeira opção. Os resultados em termos de colocação acabam por ser semelhantes aos de 2004, quando 88 por cento dos alunos conseguiram um lugar logo na 1ª fase.
No entanto, apesar do aumento de cursos – existem actualmente 1062 formações – e de vagas, a verdade é que tanto o número de candidatos como de colocados diminuiu.
De acordo com os números divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) apresentaram- se a concurso menos 3619 jovens face a 2004. Corresponderá a diminuição ao facto de pela primeira vez não ter sido permitida a candidatura de alunos com menos de 9,5 valores (numa escala de 0 a 20) nos exames nacionais que serviam de prova específica?
Para já para não parece ser possível responder. Em comunicado, a tutela considera “prematuro” retirar conclusões sobre o impacto da nova nota mínima e compromete-se a “proceder uma avaliação global dos resultados após a 2ª fase do concurso”. O ministério explica que as comparações com o ano passado não são possíveis na medida em que as regras sobre quem podia concorrer a cada fase alteraram-se.
Seja como for, o MCTES divulgou em Maio as suas estimativas – com base nas médias dos exames de 2004 – e calculou que a obrigatoriedade de ter 9,5 valores nas provas de ingresso poderia deixar de fora do concurso nacional 4500 alunos, ou seja, excluiria dez por cento de potenciais interessados.
Com a redução de candidatos, as universidades e politécnicos assistem também a uma diminuição no número de ingressos. Ao todo, esta 1ª fase colocou menos quatro mil novos alunos nos estabelecimentos de ensino superior do que em igual período do ano anterior.
Quase 300 cursos com menos de 10 alunos
Mas as contas estão longe de estar fechadas. Para além dos alunos que concluíram os exames mais tarde e que só agora podem candidatar-se, os 5500 estudantes que ficaram de fora da 1ª fase do concurso podem voltar a tentar a sorte na 2ª fase.
E as escolhas não são assim tão poucas. Mais de metade (662) dos cursos ficaram com vagas por preencher. Ao todo, são quase 13 mil os lugares disponíveis, a maioria no politécnico (mais 4400 do que em 2004). Este subsistema parece ser aliás o mais afectado pela diminuição de colocações: ficou com 38 por cento das suas 20.800 vagas por atribuir. No universitário aconteceu com 19,5 por cento dos lugares.
Outro sinal da diminuição de estudantes reflecte-se no número de cursos que não conseguiram atrair qualquer novo aluno, pelo menos pelo contingente geral. Vinte e uma formações estão neste momento desertas. No ano passado, na mesma altura, havia 11 cursos nesta situação. A área das engenharias é uma das mais atingidas mas também o sector do ensino. As licenciaturas em Física e Química (ensino de) tanto da Faculdade de Ciências de Lisboa como da Universidade da Beira Interior não tiveram qualquer vaga ocupada.
Alargando a contagem, os dados agora divulgados também permitem constatar que existem 289 formações com menos de 10 colocados. Ou 469 com um número de alunos inferior a 20. O processo de reestruturação de cursos com frequência reduzida foi iniciado pelo ex-ministro Pedro Lynce – por regra não são financiadas formações com menos de dez estudantes — mas o actual ministro do Ensino Superior, Mariano Gago já anunciou a intenção de ir mais longe. “A ideia é que seria razoável que neste momento não existissem cursos com menos de 20 alunos a entrar. E que a progressão que se faça permita nos próximos três ou quatro anos chegar a este número”, defendeu Mariano Gago em entrevista ao "Diário Económico" e à rádio TSF. Com quase metade dos cursos nesta situação, o desafio colocado às instituições é enorme.
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