Entrevista à ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues

512 escolas com elevado insucesso vão ser encerradas no final do ano lectivo

20.10.2005 - 09:27 Por José Manuel Fernandes, Isabel Leiria

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A ministra afirma que a revalorização do ensino é a prioridade da tutela A ministra afirma que a revalorização do ensino é a prioridade da tutela (Luís Forra/Lusa)
A ministra da Educação diz que a revalorização das escolas do 1.º ciclo vai continuar a ser a sua prioridade em 2006. Meio milhar de estabelecimentos de ensino de reduzida dimensão e que são simultaneamente aqueles que apresentam taxas anormais de repetência já não vão funcionar no próximo ano. As direcções regionais estão a estudar soluções para a deslocação de alunos e professores e a tutela promete ajudar as autarquias.

Com um crescimento de 0,2 por cento no seu orçamento, como é que vai pôr em prática as medidas que tem anunciado?

O que aumenta no orçamento do Ministério da Educação (ME) é o PIDDAC [Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central]. Houve um acordo que permitiu aos ministérios que poupassem no funcionamento transferir verbas para investimento - ou seja, parte do aumento deve-se ao trabalho interno que fizemos para reduzir as despesas de funcionamento.

Onde é que fizeram os cortes?

O orçamento do ME é quase todo para salários do pessoal. Este ano essa contenção foi mais fácil por força das medidas tomadas no quadro de estabilidade orçamental e do congelamento das carreiras. Este congelamento permitirá também rever o modelo de progressão e controlar de outra forma a evolução futura da despesa, pois só as progressões na carreira representavam cerca de mais três por cento ao ano.

O congelamento permite que as despesas não aumentem, não faz com que baixem...

O facto de termos regulamentado a componente não lectiva, dispondo as escolas hoje de outros recursos, e de termos controlado o mecanismo de colocação de professores permitiu-nos alguma economia nas remunerações e acomodar assim os outros aumentos para o ensino profissional, o programa do Inglês no 1.º ciclo e a comparticipação das refeições do 1.º ciclo.

Houve redução no número de professores contratados do passado ano lectivo para este?

A comparação das colocações cíclicas de 2005 com as deste ano mostra-nos que em cada fase há uma redução do número de contratações, quase sempre para metade. Temos menos sete mil professores no sistema do que em 2004, entre menos contratados e os que entretanto saíram.

O aumento do PIDDAC vai ser canalizado para que áreas?

Para a melhoria da rede escolar. A gestão destas verbas era feita no passado pelas direcções regionais em ligação com as autarquias, o que fez com que se perdesse uma visão nacional da rede e do investimento e ocorressem muitas distorções. Encontrei um PIDDAC que, se não lhe mexesse, tinha todo o dinheiro comprometido nos próximos cinco ou seis anos só para pagar pavilhões gimnodesportivos, mesmo estando a rede escolar num estado que exige intervenção urgente. A minha preocupação foi inverter as prioridades e passá-las dos pavilhões para o espaço da escola.

Que tipo de problemas existem na rede?

Temos problemas nas zonas urbanas, na região de Lisboa e no Porto, com escolas antigas que estão degradadas. Só em Lisboa há 13 estabelecimentos a necessitar de intervenção urgente. Outra decisão que tomámos foi a de encerrar já no próximo ano lectivo aquilo a que chamo "escolas do insucesso", que são sobretudo do 1.º ciclo e de pequena dimensão, escolas onde o nível de repetência é muito superior à média nacional.

Esse levantamento já está feito? Encontraram uma correlação entre escolas pequenas e maiores níveis de insucesso?

Está feito e a correlação é impressionante. O cruzamento das taxas de repetência com a dimensão das escolas permite desenhar um gráfico de uma clareza total. As taxas anormais de insucesso estão praticamente todas localizadas em estabelecimentos com menos de 20 alunos. Pedi para as listarem e chegámos a um total de 512. No próximo ano essas escolas já não abrirão, uma responsabilidade que terá de ser partilhada com as autarquias.

Encontraram outras correlações com insucesso?

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Comentário + votado

Concordo plenamente, venham as EBI

Sou professor do 1º Ciclo e estou plenamente de acordo!!! Basta com as turmas de 4 anos lectivos ...

José Eduardo

22.10.2005 04:19

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