Vítor Ramalho: PEC é o resultado de "uma política economicista e financeira da UE"

25.03.2010 - 14:58 Por Lusa
O líder do PS/Setúbal, Vítor Ramalho, considerou hoje que “infelizmente o PEC resulta de uma política economicista e financeira da UE”, e que “só com medidas restritivas sérias se consegue alcançar o cumprimento da redução do défice”.
“Vejo com muita preocupação o rumo de marcha da Europa e o PEC surge sob esta orientação [economicista e financeira] o que não vai dar bom resultado”, discorda o socialista Vítor Ramalho.
O dirigente do PS enumerou alguns pontos mais “sensíveis” do Programa de Estabilidade e Crescimento, nomeadamente, os congelamentos salariais na função pública: “Penso que os funcionários públicos são um estímulo para a economia e ao existirem cortes nas despesas com a função pública vai reduzir o poder de compra, há que ter em atenção a racionalização”.
As medidas do PEC em relação às despesas sociais - o subsídio de desemprego, o apoio a idosos, bem como, o rendimento de inserção - também preocupam o líder socialista que afirma “nesta área ser necessário jogar com molas amortecedoras que não façam agravar a crise”.
Segundo Vítor Ramalho, a União Europeia teve a preocupação subjacente em pedir aos países: “Por favor mantenham o défice abaixo dos três por cento e não aumentem a dívida pública”, factor determinante para existirem “cortes cegos”.
“O PEC no domínio social poderá no futuro fazer levantar debates no país, também isto fruto da formalização excessiva da UE que não possibilita os debates aprofundados e com imaginação que tenham objetivo social e não apenas economicista”, afirmou.
Para Vítor Ramalho as privatizações que forem realizadas serão “uma gota de água num oceano”, uma vez que os seis milhões de euros (valor respeitante às privatizações) “não podem entrar na redução do défice, mas sim na diminuição da dívida externa”.
O processo das privatizações pode ser “evitável”, isto se “todos os partidos em vez de andarem a atirar pedras uns aos outros, numa lógica positiva, identificarem no setor empresarial o que deve ser preservado a nível nacional”, reportou ao que aconteceu na Finlândia.“Isto nunca foi feito e já não estamos a vender os anéis, mas sim os próprios dedos”, rematou.

