A União Geral de Trabalhadores (UGT) reivindicou hoje um aumento médio de 3,5 por cento para o próximo ano nos salários e pensões com valores superiores ao Salário Mínimo Nacional (SMN).
O caderno reivindicativo da central sindical para 2006, apresentado hoje em conferência de imprensa, depois de ter sido aprovado por unanimidade pelo secretariado nacional da UGT, propõe também um aumento de 5,3 por cento para o SMN, que passaria para 394,70 euros, ou seja, mais 20 euros do que o valor actual.
Esta actualização seria extensível às pensões que se encontram indexadas ao valor do SMN. Para o abono de família, a UGT exige um aumento de quatro por cento.
O secretário-geral da UGT, João Proença, disse aos jornalistas que a central sindical elegeu a melhoria dos salários reais portugueses como uma das principais prioridades para 2006.
"A evolução salarial deve assegurar ganhos de poder de compra e de bem-estar para os trabalhadores e também uma convergência com a União Europeia, interrompendo a fase de divergência em que nos encontramos actualmente", afirmou.
A UGT defende que o aumento salarial para o próximo ano deve ter em conta a taxa de inflação prevista, os ganhos de produtividade e ainda a situação económico-social das empresas e sectores, mas garantindo sempre um crescimento real dos salários.
Tendo em conta este princípio, a central sindical reivindica um aumento salarial médio de 3,5 por cento, que pode variar entre os três e os 4,5 por cento, conforme a situação das empresas e sectores.
Quanto ao aumento de 5,3 proposto para o SMN, para vigorar a partir de 1 de Janeiro de 2006, João Proença justificou-o com o facto de esta remuneração mínima ter perdido poder de compra nos últimos três anos e de ser das mais baixas da União Europeia. "É fundamental que o SMN garanta condições de vida dignas a quem o aufere", disse o sindicalista.
Para as pensões inferiores ao SMN, a UGT propõe um aumento mínimo de 5,3 por cento que deveria ser ultrapassado no caso das pensões mínimas que teriam um aumento de 15 euros.
Para a pensão mínima do regime geral (cujo valor actual é 216,79 euros) o aumento é de 6,9 por cento, para a pensão mínima do regime agrícola (cujo valor actual é de 199,37 euros) o aumento proposto equivale a 7,5 por cento e para a pensão social (164,88 euros) o aumento equivale a 9,1 por cento.
A UGT, que prevê que a inflação no próximo ano se situe entre os 2,5 e os três por cento, considera fundamental que o Governo promova uma política voltada para o emprego e o desenvolvimento, com condições para aumentar o investimento público e privado, com vista à dinamização da economia.


