Trabalhadores dos Estaleiros de Viana aprovam moção contra despedimentos

02.09.2011 - 19:30 Por Lusa
Os mais de 450 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) que se deslocaram hoje a Lisboa em protesto aprovaram uma moção que apresenta “propostas concretas que provam que é possível evitar os despedimentos”.
“O emagrecimento do pessoal, a existir, que seja para os trabalhadores com mais de 55 anos que possam ir previamente para a reforma e não para o desemprego”, disse à Lusa Martinho Cerqueira, um dos trabalhadores mais antigos dos estaleiros.
Prestar apoio à administração, através do conhecimento técnico dos trabalhadores, é outra das propostas apresentadas. A Estaleiros de Viana “é uma empresa que une gerações, a que toda a população se sente ligada e que tem uma grande importância na cidade. Estamos confiantes que haja diálogo, que nos oiçam definitivamente e tenham em consideração as nossas propostas”, sustentou Martinho Cerqueira.
A moção foi entregue à administração da Empordef, a holding pública accionista única dos ENVC, no final da marcha de protesto, que começou na praça do Saldanha e terminou na Rua Braancamp, em frente à sede.
Quase 500 trabalhadores marcharam durante cerca de duas horas, envergando cartazes e gritando palavras de ordem contra os despedimentos anunciados.
“Viana quer progresso, não quer retrocesso” e “Trabalho sim, despedimentos não” foram algumas das frases mais ouvidas pela comitiva, encabeçada pelo coordenador António Barbosa, que disse continuar “preocupado”, apesar de a decisão ter sido adiada até final de Outubro.
“Ainda estão todos os receios em cima da mesa, mas abrem-se perspectivas, já que há armadores interessados em construir e reparar navios na empresa e isso é trabalho que nós pedimos e precisamos”, disse o responsável.
O líder da CGTP, Carvalho da Silva, juntou-se à comitiva de manifestantes e condenou as medidas de despedimentos anunciadas, criticando o Governo por não intervir neste processo. A esta marcha de protesto juntaram-se também o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, e o líder da bancada parlamentar do PCP, Bernardino Soares.
Os trabalhadores vão ainda hoje regressar a casa com a esperança de que as suas propostas sejam ouvidas, prometendo continuar a luta para que a decisão dos despedimentos seja definitivamente suspensa.

