Teixeira dos Santos: "Continuamos disponíveis para ultrapassar o impasse"

27.10.2010 - 23:00 Por Maria José Oliveira
O ministro das Finanças garantiu na noite de quarta-feira que o Governo está “disponível” para desbloquear o impasse produzido pela ruptura das negociações com o PSD sobre o Orçamento do Estado. E disse esperar “um gesto, um passo” dos sociais-democratas.
Num comentário às declarações do secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, que disse aguardar que o Executivo reconsidere e aceite as propostas dos sociais-democratas, o ministro das Finanças garantiu que o Governo poderá “reconsiderar” caso a solução alcançada não agrave o défice orçamental.
“Estarei disponível para reconsiderar desde que se chegue a uma solução que não contribua para o agravamento do défice orçamental”, disse, admitindo acreditar ainda numa solução. “A esperança deve ser sempre a última a morrer”, acrescentou, reiterando que o Governo, apesar do fim das negociações, está interessado em “ultrapassar o impasse”.
“Continuamos disponíveis para ultrapassar o impasse. Esperamos que do PSD surja um gesto, um passo, nesse sentido. Da nossa parte procuraremos ultrapassar este impasse”, disse, justificando que “não podia aceitar um acordo qualquer, que nos desviasse de um objectivo que já não depende de nós”. Teixeira dos Santos falava à entrada para uma reunião com o grupo parlamentar do PS, ao qual o ministro irá explicar os detalhes da proposta orçamental do Governo e os motivos para a ruptura nas conversações com o PSD.
Tal como Francisco Assis, também Teixeira dos Santos não recusou a possibilidade de incorporar no Orçamento do Estado algumas das medidas que constam do documento que o Executivo apresentou ao PSD. Entre as quais a não alteração da tributação em IVA de alguns produtos alimentares e a não inclusão do 3º escalão nas limitações às deduções no IRS. Sobre estas medidas “assumi um compromisso com o PSD” sobre a hipótese de avançar com a sua aplicação, notou o ministro.
Teixeira dos Santos considerou, atendendo ao debate parlamentar, que será necessária “vontade política que gere uma maioria de votos no Parlamento para que passem estas alterações”.

