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Primeiro-ministro faz balanço de dois anos de Governo

Sócrates assegura que défice ficará abaixo das previsões de 4,6 por cento

17.03.2007 - 18:17 Por Lusa

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Sócrates considera uma descida imediata de impostos "irresponsável e pouco séria" Sócrates considera uma descida imediata de impostos "irresponsável e pouco séria" (Fernando Veludo/PÚBLICO (arquivo))
José Sócrates assegurou hoje que o défice relativo a 2006 ficará abaixo das previsões de 4,6 por cento do Governo, mas recusou que a folga orçamental possa servir para baixar já os impostos. No dia em que faz o balanço de dois anos de governação, o primeiro-ministro deixou garantias que Portugal vai obter "bons resultados na redução do défice e da despesa pública".

Sócrates, que falava na abertura do Fórum Novas Fronteiras, no Centro de Congressos de Lisboa, perante cerca de mil simpatizantes do PS e alguns dos ministros do seu Executivo, sublinhou que "os dados disponíveis, e ainda provisórios”, já permitem “saber que este ano o défice ficará abaixo da previsão do Governo".

Segundo o semanário “Expresso”, o Governo tem já dados disponíveis que lhe permitem acreditar que o défice de 2006 ficará nos 4,1 por cento, 0,5 por cento abaixo das previsões do Executivo.

Questionado sobre este valor de 4,1 por cento, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, presente no fórum, recusou-se para já a confirmá-lo, adiantando que os dados do Instituto Nacional de Estatística apenas serão divulgados no final deste mês.

Ainda na sua intervenção, o primeiro-ministro reiterou a sua recusa em descer os impostos e criticou duramente o presidente do PSD, Marques Mendes, por apresentar uma proposta neste sentido. "Os resultados [da economia em 2006] são bons, é verdade, mas nós estamos apenas a meio do caminho da consolidação orçamental. Que ninguém tenha a mínima dúvida: nós vamos levar este processo de consolidação orçamental até ao fim, reduzindo o défice e a despesa pública e fazendo as reformas estruturais que são indispensáveis", assegurou.

Sócrates considera "extraordinário" que Marques Mendes, "estando o país a meio da sua consolidação orçamental e permanecendo ainda em défice excessivo perante a União Europeia venha agora propor, com total leviandade, uma baixa dos impostos".

"Nós não vamos deitar por terra o que os portugueses já conseguiram. O resultado do esforço dos portugueses não pode uma vez mais ser posto em causa pela irresponsabilidade e pelo oportunismo de uma proposta de descida dos impostos que se destina apenas a falar para as sondagens, a tentar ganhar popularidade fácil e a resolver os problemas de afirmação de liderança política", contrapôs.

Segundo o também secretário-geral do PS, uma descida imediata de impostos, "para além de absolutamente irresponsável, é também pouco séria". "Viola frontalmente os nosso compromissos europeus e compromete todo o trabalho de recuperação da credibilidade externa da nossa economia. Mas essa proposta de descida de impostos é também pouco séria porque provém da área política que nos deixou o problema que agora estamos a resolver", reagiu.

Sócrates frisou depois que, em matéria de consolidação orçamental, "não há atalhos". "Bons resultados não significam folga. Bons resultados significam que estamos apenas a andar mais depressa e que podemos chegar mais cedo ao fim do caminho", disse, ainda justificando a razão que leva o Executivo a recusar uma descida de impostos.

Nunca antes um Governo deixou tantas marcas de esquerda

Antes da questão do défice do ano passado, Sócrates abriu o Fórum Novas Fronteiras com o balanço dos dois anos de governação PS, um partido que ficará na história como aquele que “lutou e conseguiu pôr mais mulheres no Parlamento e nas autarquias locais" e que “deu o passo decisivo para vencer tabus e fazer a ciência avançar na procriação medicamente assistida”. O PS será ainda lembrado, segundo Sócrates, como a formação que “propôs e liderou uma lei da interrupção voluntária da gravidez capaz de combater o aborto clandestino e de lutar pela dignidade das mulheres em Portugal".

"Há para aí quem esteja sempre a falar de esquerda e disponível para dar lições sobre esquerda a esta maioria. Pois eu não me lembro de um Governo e de uma maioria em Portugal, que, em dois anos, deixasse marcas tão profundas e tão perenes dos valores do centro esquerda", reforçou.

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Anónimo

08.07.2007 00:18

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