Concertação Social

Soares diz que entre a CGTP e a UGT há apenas “uma divergência simples”

19.01.2012 - 19:38 Por Lusa, PÚBLICO

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Soares diz que não há “grande unanimidade” em relação aos resultados alcançados na Concertação Social Soares diz que não há “grande unanimidade” em relação aos resultados alcançados na Concertação Social (Foto: Daniel Rocha)
O ex-Presidente da República Mário Soares considera que existe apenas “uma divergência simples” entre a CGTP e a UGT, recusando a ideia de uma “polémica” sobre a assinatura do acordo de Concertação Social. O antigo chefe de Estado admite, no entanto, que o documento pode representar um retrocesso nos direitos dos trabalhadores.

“Eu acho que não há polémica nenhuma, houve simplesmente uma divergência simples que não vale a pena acentuar através da imprensa”, afirmou Mário Soares, à chegada à cerimónia de entrega do prémio Angelo d’Almeira Ribeiro ao advogado Nuno Godinho de Matos, na Ordem dos Advogados.

Soares falava, quando questionado pelos jornalistas, sobre as declarações do secretário-geral da UGT, João Proença, e a reacção que suscitaram por parte da CGTP a propósito da assinatura do acordo tripartido, ontem, entre o Governo, as associações patronais e a UGT.

A CGTP anunciou hoje que decidiu “adoptar as medidas conducentes à apresentação de uma participação criminal” contra João Proença, por este ter afirmado, em entrevista à Antena 1, que houve “contactos particulares de dirigentes não socialistas da CGTP no sentido de incentivar a UGT a negociar”. A UGT veio, entretanto, esclarecer que o seu secretário-geral não referiu ter sido incentivado a assinar o acordo, mas sim a negociá-lo.

Recordando os primeiros tempos das centrais sindicais, “quando havia problemas desses quase todos os dias”, Mário Soares considerou ser “natural em democracia” que os dirigentes sindicais votem de maneiras diferentes.

O antigo chefe de Estado assinalou, contudo, as diferenças entre partidos e sindicatos, salientando que “os partidos não têm que se intrometer na vida dos sindicatos”.

“Os sindicatos são uma coisa e os partidos são outra”, frisou Mário Soares.

Questionado sobre o acordo conseguido na Concertação Social, o ex-Presidente da República começou por recusar pronunciar-se sobre o documento, alegando ainda não ter tido tempo para ler o documento “que é muito longo”.

Mário Soares admitiu, porém, temer que possa vir a acontecer um retrocesso nos direitos dos trabalhadores.

“Temo que possa vir a acontecer, porque as medidas de austeridade não são muito agradáveis para ninguém e isso é um problema sério. Não acho que seja inevitável, acho que se devia cuidar mais dos problemas de crescimento económico e, sobretudo, do desemprego, porque sem isso nada feito”, frisou, assinalando ainda o facto de “não haver uma grande unanimidade em relação aos resultados” alcançados na concertação social.

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