Soares diz que entre a CGTP e a UGT há apenas “uma divergência simples”

19.01.2012 - 19:38 Por Lusa, PÚBLICO
O ex-Presidente da República Mário Soares considera que existe apenas “uma divergência simples” entre a CGTP e a UGT, recusando a ideia de uma “polémica” sobre a assinatura do acordo de Concertação Social. O antigo chefe de Estado admite, no entanto, que o documento pode representar um retrocesso nos direitos dos trabalhadores.
“Eu acho que não há polémica nenhuma, houve simplesmente uma divergência simples que não vale a pena acentuar através da imprensa”, afirmou Mário Soares, à chegada à cerimónia de entrega do prémio Angelo d’Almeira Ribeiro ao advogado Nuno Godinho de Matos, na Ordem dos Advogados.
Soares falava, quando questionado pelos jornalistas, sobre as declarações do secretário-geral da UGT, João Proença, e a reacção que suscitaram por parte da CGTP a propósito da assinatura do acordo tripartido, ontem, entre o Governo, as associações patronais e a UGT.
A CGTP anunciou hoje que decidiu “adoptar as medidas conducentes à apresentação de uma participação criminal” contra João Proença, por este ter afirmado, em entrevista à Antena 1, que houve “contactos particulares de dirigentes não socialistas da CGTP no sentido de incentivar a UGT a negociar”. A UGT veio, entretanto, esclarecer que o seu secretário-geral não referiu ter sido incentivado a assinar o acordo, mas sim a negociá-lo.
Recordando os primeiros tempos das centrais sindicais, “quando havia problemas desses quase todos os dias”, Mário Soares considerou ser “natural em democracia” que os dirigentes sindicais votem de maneiras diferentes.
O antigo chefe de Estado assinalou, contudo, as diferenças entre partidos e sindicatos, salientando que “os partidos não têm que se intrometer na vida dos sindicatos”.
“Os sindicatos são uma coisa e os partidos são outra”, frisou Mário Soares.
Questionado sobre o acordo conseguido na Concertação Social, o ex-Presidente da República começou por recusar pronunciar-se sobre o documento, alegando ainda não ter tido tempo para ler o documento “que é muito longo”.
Mário Soares admitiu, porém, temer que possa vir a acontecer um retrocesso nos direitos dos trabalhadores.
“Temo que possa vir a acontecer, porque as medidas de austeridade não são muito agradáveis para ninguém e isso é um problema sério. Não acho que seja inevitável, acho que se devia cuidar mais dos problemas de crescimento económico e, sobretudo, do desemprego, porque sem isso nada feito”, frisou, assinalando ainda o facto de “não haver uma grande unanimidade em relação aos resultados” alcançados na concertação social.

