O economista José da Silva Lopes diz que Portugal não pode suportar juros da dívida num nível actual durante muito tempo e não duvida que o país tenha de recorrer já ao FMI amanhã.
“Não duvido que Portugal vá já amanhã ao fundo por causa de os juros estarem nos sete por cento”, disse ao PÚBLICO Silva Lopes. Mas, mesmo que isso não aconteça, o antigo ministro das Finanças e do Plano no Governo de Alfredo Nobre da Costa diz que, a persistirem juros muito altos, Portugal terá de recorrer mais tarde ou mais cedo ao fundo europeu de estabilização financeira e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Se continuarmos a suportar juros na ordem dos sete por cento, a dívida pública acaba por explodir e não pode ser sustentada”, alerta.
Há um mês, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse que se os juros da dívida superassem a fasquia dos sete por cento, Portugal teria de começar a pensar em recorrer à ajuda internacional.
Para Silva Lopes, a intervenção do fundo europeu e do FMI teria duas vantagens. Por um lado, permitiria reduzir os juros da dívida e, por outro, traria medidas de ajustamento orçamental, que “os Governos não têm tido capacidade para fazer”.
Contudo, segundo Silva Lopes, algumas das medidas que Portugal seria forçado a implementar “podem ser difíceis de engolir e ser extremamente impopulares”.


