Resistência do consumo é a principal razão para revisão em alta do PIB

17.11.2009 - 16:19 Por Sérgio Aníbal
Uma maior resistência do que esperado do consumo realizado pelos portugueses na segunda metade deste ano é o principal motivo para que o Banco de Portugal tenha hoje revisto em alta a sua estimativa de crescimento económico em 2009.
No boletim de Outono hoje publicado, a autoridade monetária nacional passou a prever uma contracção do PIB de 2,7 por cento, quando há três meses apontava para 3,5 por cento, explicando que a apresentação de novos números "reflecte um perfil intra-anual menos desfavorável das exportações e, principalmente, do consumo privado na segunda metade do ano".
Nas suas novas projecções, o banco antecipa uma diminuição do consumo privado de 0,9 por cento, um cenário que é bastante melhor do que a contracção de 1,8 por cento que era esperada em Agosto.
Menos incerteza no cenário económico, crescimento mais forte do que o previsto no rendimento disponível real e descida acentuada dos juros são so motivos principais para que os portugueses, apesar do aumento do desemprego e da subida da taxa de poupança, estejam agora a cortar menos no consumo do que aquilo que se pensava que fizessem.
No relatório, o Banco de Portugal explica que "apesar da diminuição do emprego, deverá verificar-se um apreciável crescimento das remunerações do trabalho", assinalando que a remuneração média por trabalhador para o sector privado registou
um aumento de 3.6 por cento nos primeiros oito meses do ano. "Atendendo à taxa de inflação
negativa em 2009, tal aumento representa um expressivo crescimento do salário real, muito acima
do estimado para a evolução da produtividade média do trabalho", afirma o Banco de Portugal.
Outra explicação - a descida dos juros - é especialmente importante, diz o Banco de Portugal, porque as famílias que delas beneficiam apresentam uma elevada propensão para utilizar qualquer dinheiro extra em consumo.
Ainda assim, apesar da resistência registada, continua a ser óbvio que a crise fez os portugueses pouparem mais. Segundo as contas do Banco de Portugal, a taxa de poupança, que durante a última década quase sempre diminuiu, deverá em 2009 registar uma subida acentuada. As dúvidas em relação à conjuntura económica e, em particular, o medo de perder o emprego levam a que se verifique um aumento da prudência e uma menor vontade de recorrer ao crédito para financiar o consumo.
As compras de bens duradores, como automóveis, ressentiram-se particularmente desta maior prudência, devendo cair cerca de 15 por cento este ano, enquanto os bens não duradouros, como a alimentação, ainda crescem 0,7 por cento

