Empresa espanhola continua interessada

PT e investidores aguardam próxima jogada da Telefónica na luta pelo controlo da Vivo

13.05.2010 - 07:24 Por Cristina Ferreira, Ana Brito

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Zeinal Bava, presidente executivo da PT, já deixou claro que não quer desfazer-se da operadora brasileira Zeinal Bava, presidente executivo da PT, já deixou claro que não quer desfazer-se da operadora brasileira (Enric Vives-Rubio)
Subir a oferta pelas acções da operadora brasileira para levar accionistas a pressionar gestão é um dos cenários possíveis.

Se o "não" de Zeinal Bava à Telefónica eliminou quaisquer dúvidas quanto à intenção da PT de desfazer-se da Vivo, as movimentações e rumores em torno da próxima jogada da empresa espanhola tornam claro que o assunto está longe de estar arrumado.

O BES reuniu-se ontem em comissão executiva, os grandes escritórios de advogados e as agências de comunicação mobilizaram-se para defender os interesses envolvidos e, nos corredores da PT, já se fala de um processo que durará "largos meses". Se por um lado corriam os rumores de que os espanhóis poderão vir a subir a oferta de 5,7 mil milhões de euros pelas acções portuguesas na Vivo - e desta forma suscitar pressões de accionistas para que o conselho de administração viabilize o negócio -, não falta quem também aposte numa Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Telefónica sobre a própria PT.

Apesar deste cenário parecer à partida de sucesso improvável, a morte anunciada da golden share (em vias de ser condenada pelo Tribunal Europeu de Justiça) torna a operadora portuguesa mais vulnerável a potenciais investidas hostis. Ainda assim, se este obstáculo cair, há outro não menos complicado: a PT tem os seus estatutos blindados, impedindo que um concorrente tenha mais de dez por cento do seu capital (a Telefónica, liderada por César Alierta, já está neste limite). Para que uma oferta da Telefónica pelo capital da PT fosse bem-sucedida, teria assim de alinhar as vontades dos grandes accionistas da empresa, onde se destacam os portugueses BES (7,99 por cento), CGD (7,3) e Ongoing (6,74), a Visabeira, que tem apenas 2,01 por cento, mas está representada no conselho de administração, e a Controlinveste (2,28 por cento).

O PÚBLICO sabe que a oferta da Telefónica pela Vivo causou algum mal-estar no conselho de administração da PT por ter surgido de repente, sem qualquer conversa exploratória. Em declarações a um jornal italiano, o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, teceu críticas à postura dos espanhóis, que considerou "continuarem a comportar-se como conquistadores". Quando se deita dinheiro para a mesa, "mostra-se que não se está disposto a negociar", afirmou Vasconcellos ao Il Sole 24 Ore.

Também Joe Berardo (que já foi um dos principais accionistas da PT, mas tem agora uma participação inferior a dois por cento) concorda com a decisão da administração da empresa. A venda da Vivo "seria a morte lenta do artista", afirmou o investidor. O encaixe permitiria "um lucro imediato grande e a redução do endividamento, mas impediria a expansão da PT" e limitaria a sua visibilidade internacional.

Esta oferta poderá ser levada à assembleia geral, o local que servirá para os investidores da PT contarem as espingardas. Há semanas, o Barclays deu o tiro de partida e entrou na corrida ao anunciar que tinha cinco por cento da PT, podendo estar a parquear as acções de um investidor-sombra.

Alento para o PSI-20

A subida das acções da PT foi um dos factores que ontem permitiram à bolsa de Lisboa registar a maior valorização entre os principais mercados europeus. O PSI-20 subiu quase três por cento, ajudado pelo crescimento inesperado do PIB e pelo sucesso da colocação de mil milhões de euros de dívida pública, mas também pela subida de 5,5 por cento da PT, que continuava a reagir em alta ao chumbo à proposta de 5,7 mil milhões de euros pelas acções da Vivo.

Os títulos da operadora, que em três dias se valorizaram quase 23 por cento, fecharam nos 7,95 euros. Segundo um operador de mercado contactado pelo PÚBLICO, a repercussão da oferta dos espanhóis, e sua rejeição, na comunicação social aumentou a visibilidade da empresa portuguesa, o que poderá estar a atrair mais investidores. Mas se as acções da PT reagiram em alta, com os títulos da Telefónica deu-se precisamente o oposto: a queda foi de 3,6 por cento.

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