O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu hoje “moderação salarial” e sublinhou que “o sector privado também tem dívida que precisa de ser paga”.
Numa conferência de imprensa conjunta com o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no decurso da visita oficial que realiza hoje a Angola, Passos Coelho foi questionado sobre a recomendação da ‘troika’ de que o sector privado também deve reduzir salários. “O sector privado em Portugal também tem uma dívida que precisa de ser paga. As empresas portuguesas têm vindo a fazer este processo de ajustamento, que iniciaram até mais cedo do que o Estado português”, começou por lembrar o primeiro-ministro.
Passos Coelho destacou que “já hoje há empresas que têm salários mais baixos que aqueles que existiram antes desta crise ter eclodido”. “Se queremos ganhar competitividade, temos entre outros custos de contexto de atender também ao custo unitário do trabalho e, portanto, à moderação salarial. Mas esse é um processo que está em curso e o Estado não precisa de interferir de forma directa”, sublinhou.
O primeiro-ministro lembrou ainda a medida que o Governo quer aplicar no sector privado, e que está em discussão na concertação social, de aumentar em meia hora por dia o período de trabalho. A 'troika' defendeu na quarta-feira que o sector privado deve seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções salariais. "A fim de melhorar a competitividade dos custos da mão-de-obra, os salários do sector privado deverão seguir o exemplo do sector público e aplicar reduções sustentadas", diz o comunicado da missão conjunta da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.


