Presidente do Banco Mundial pede desculpas por ter promovido a namorada 
12.04.2007 - 17:20 Por PUBLICO.PT, , com agências
O presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, pediu hoje desculpas pelo aumento e pela promoção concedidos a uma funcionária da instituição com quem mantinha uma relação amorosa, tendo reconhecido que cometeu um erro.
"Cometi um erro e peço desculpa", afirmou Wolfowitz, num comunicado divulgado esta tarde em Washington, dois dias antes da abertura da sessão semestral do Banco Mundial (BM).
"Assumo toda a responsabilidade pelos detalhes do acordo" que permitiu o aumento do salário de Shaha Riza, à altura assessora de comunicação do departamento para o Médio Oriente, com quem namorava.
O ex-secretário de Estado adjunto norte-americano — à frente do BM desde meados de 2005 — esteve reunido esta manhã com o Conselho de Administração da instituição e mostrou-se disponível para ser investigado pelo comité de ética da instituição. "Aceitarei qualquer decisão que me proponham", afirmou.
Esta é a primeira vez que Wolfowitz reconhece um envolvimento directo neste caso, que o deixa numa posição delicada depois de ter iniciado uma campanha de luta contra a corrupção na instituição.
A polémica estalou na semana passada, quando a associação de funcionários do banco questionou o aumento salarial que Riza recebeu em Setembro de 2005, exactamente antes de ter sido nomeada para uma comissão de serviço no Departamento de Estado norte-americano. Segundo a associação, o salário que lhe foi atribuído, acrescido das ajudas de custo, era mais do dobro do previsto pelas regras salariais do BM.
Na edição de hoje, o "Financial Times" noticia que foi o próprio Wolfowitz quem deu instruções ao chefe dos recursos humanos do BM para promover e aumentar a sua namorada. Num memorando, com data de Agosto de 2005, o responsável fixa o valor do novo salário de Riza, os pormenores da sua promoção e a fórmula de cálculo para posteriores actualizações salariais.
Wolfowitz defende-se, argumentando que informou a administração do BM da sua relação com Riza assim que assumiu funções, acrescentando que foi o comité de ética da instituição que o aconselhou a promover e transferir a namorada, para evitar conflitos de interesses. O responsável lamenta apenas não se ter "mantido à margem" deste processo.
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