Presidente da Caritas: “São os que não geraram a crise que a vão pagar”

13.05.2010 - 12:09 Por Lurdes Ferreira
O presidente da Caritas portuguesa alerta para a “injustiça” das novas medidas de austeridade que “vão deixar muitas famílias sem poder satisfazer as necessidades básicas de alimentação, habitação, saúde e educação”. E acrescenta: “são os que não geraram a crise que a vão pagar”.
Em declarações ao PÚBLICO, Eugénio Fonseca assegura que o pacote de medidas acordadas entre o Governo e o PSD vai fazer com que o desemprego seja “um flagelo que nos vai acompanhar nos próximos anos” e sublinha que “vão faltar rendimentos para o mais elementar, para o que é sobrevivência”.
Eugénio Fonseca mostra-se sobretudo contra o aumento do IVA, por Governo e PSD considerarem iguais os preços para quem tem baixos e altos rendimentos, e contra o agravamento das taxas de IRS, por implicar uma efectiva descida salarial. Receia também que o corte nas receitas das autarquias agrave a redução da resposta social do Estado.
Com medidas que afectarão especialmente as famílias das zonas urbanas mais populosas, das classes média e baixa, acusa que com uma “classe média muito atingida”, o país caminha para “perpetuar a realidade de gente que recebe salários, mas que são baixos salários”.
O responsável pela estrutura portuguesa da instituição oficial da Igreja para a acção social da Igreja lamenta que as respostas à crise económica e financeira “afectem sempre a classe média e os mais pobres” e alerta que o efeito esperado pode ser o indesejado: o país até pode segurar as suas finanças públicas mas perde depois dinâmica para reanimar a actividade económica.

