Portugal deve reavaliar grandes projectos e aumentar impostos, defende João Cravinho

30.04.2010 - 17:17 Por Lusa
Portugal deve fazer cortes na despesa pública, reavaliar grandes projectos e aumentar impostos para convencer os mercados de que está a resolver os problemas orçamentais, afirmou hoje o ex-ministro socialista João Cravinho em Londres.
“Devemos estar preparados para tomar medidas que desarmem os mercados”, disse à agência Lusa, medidas que poderão ser “bastante mais duras” do que aquelas já anunciadas pelo Governo.
O actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) defende a necessidade de “cortes na despesa pública” e também de “reequilibrar a fiscalidade visto que o nossos sistema fiscal é muito injusto e com a crise está a tornar-se ainda mais injusto”.
Cravinho considera “perfeitamente justificado e desejável que haja aumento de impostos selectivamente, cirurgicamente, para poder corrigir esta injustiça crescente do sistema fiscal”.
Sobre os cortes da despesa pública, reclama que já devia ter sido feita há muito tempo “uma reavaliação dos grandes projectos” e apoia a suspensão da construção das ligações entre do TGV entre Lisboa e Porto e Porto e Vigo.
“Está-se a suspender, que é uma coisa completamente diferente, e retoma-se quando houver condições”, salientou em Londres, à margem da assinatura de um memorando de entendimento entre a Mota Engil e o BERD.
Sobre a crise nos mercados e a descida do rating das dívidas públicas da Grécia, Portugal e Espanha esta semana, Cravinho admite que “a situação é grave” e que “a credibilidade do euro e a força do euro está a ser afectada muito gravemente”.
“É uma ameaça ao próprio euro como grande construção monetária e como divisa internacional de primeira grandeza”, sugere.
A situação da Grécia, acredita, “é diferente da portuguesa”, mas reconheceu que foi criada uma associação as agências de notação financeira terem baixado na terça-feira o rating da dívida ao mesmo tempo que a Grécia e na véspera de acontecer o mesmo à Espanha,
“Para o mercado é um sinal de que, de uma maneira ou de outra. os problemas não são totalmente distintos, estão profundamente interligados”, justificou.
Igualmente presente em Londres, o presidente da Mota Engil confessou-se “preocupado” porque o desinvestimento em obras públicas vai afectar todas as empresas, incluindo a construtora portuguesa.
Mas vincou ter assinado ainda esta semana o financiamento de uma concessão com 15 bancos internacionais, três portugueses e os outros internacionais sem que o negócio tenha sido afectado pela crise.
“O apoio foi total e não houve agravamento das condições”, adiantou.
Para este empresário, “é preciso de separar especulação do que é realidade”.

